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08/11/2012

Microsoft vai ter sede no Rio de Janeiro já em 2013. E será no Museu do Gás.

No Globo de hoje uma reportagem assinada por Mônica Tavares e Isabela Bastos trás a notícia de que a Microsoft irá investir 200 milhões no Rio de Janeiro para o ano de 2013. Dentre estes investimentos, estão a criação de um Laboratório de Tecnologia Avançada (ATL), considerado até então o quarto maior do mundo, a fundação de uma aceleradora de negócios focada em grupos emergentes com base tecnológica, um centro de desenvolvimento do Bing ( sua plataforma de busca semelhante ao Google) e uma empresa de investimentos.

Tudo estaria as mil maravilhas, se não fosse o local escolhido para a sede de tudo isso. A CEG! No dia 24-06-2010 anunciamos aqui uma carta do museólogo Cláudio Lacerda sobre o abandono do prédio desde 1995!!! Na época a carta circulou a internet de página em página de museólogos e profissionais da memória e alguma discussão foi feita a esse respeito. Mas parece que o abandono.



Um dos trechos da reportagem, mostra que parte do projeto inclui a Universidade Estácio de Sá, mas que a sede definitiva será o prédio construído pelo Barão de Mauá.
Os projetos vão funcionar inicialmente numa área cedida pela Universidade Estácio de Sá. A sede definitiva será no edifício Barão de Mauá, que será restaurado pela Microsoft. As obras do prédio onde funcionou a primeira fábrica de gás do Rio, criada pelo Barão de Mauá, deverão estar concluídas em dezembro de 2013, segundo o protocolo de intenções assinado entre Microsoft e a prefeitura do Rio. (O Globo,  08-11-2012)

Abaixo copiei e colei na íntegra a carta escrita pelo Museólogo que explica bem os acontecidos naquele momento.

Extra!Extra! Museólogo faz denúncia sobre O ABANDONO DO MUSEU DO GÁS. Museólogos(as) de todo mundo, uni-vos!

Museu do Gás - apogeu e decadência.

O Museu do Gás foi criado em 1985 para mostrar ao público um pouco da história do fornecimento e consumo de gás, salientando sua importância no desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro.

Originalmente instalado à rua Jornalista Orlando Dantas 44 em Botafogo, foi este transferido no início da década de 90 para o secular prédio da Avenida Presidente Vargas 2610, que até 1995 recebeu uma cuidaosa intervençao de restauro, não só na fachada, mas sobretudo em seu interior, devolvendo ao prédio neoclássico, uma aparência até então desconhecida por todos que ali trabalhavam, pois muitas paredes e divisórias, quando foram retiradas, puseram à tona arcos plenos que estavam há anos, emparedados.

Após o término do restauro do andar térreo, o museu sob a suervisão da museóloga Clarice Girafa, começou a ser montado com a minha ajuda, sendo na época ainda um estagiário. Seu acervo é composto por medidores de gás, aquecedores, bicos de gás, luminárias, além de móveis, relógios de parede, telefones e dois dioramas que reproduzem o ambiente doméstico transformado com o advento do gás na vida das pessoas em suas cozinhas e banheiros.

Todavia duas peças merecem atenção especial: a única vara de acender lampiões a gás existente no país, que fazia parte de um diorama com um manequim vestido a caráter como Acendedor de Lampiões, e o único documento existente com a assinatura do Barão de Mauá, o construtor da primeira fábrica de gás do Brasil, ou seja, daquele prédio mesmo, isso no distante ano de 1854...

Mas tudo isso está prestes a sumir, acabar, virar algo volátil e invisível, como o gás. Externamente, a aparência do edifício que miraculosamente ainda sustenta as letras que compõem a frase EX FUMO DARE LUCEM - do fumo a luz - obra de intensa pesquisa, e que foram recolocadas em 1995, pois assim existia à época de sua inaguração, demonstra claramente que em seu interior a deterioração é mais grave do que se pensa. O relógio da torre, que é de 1889, está parado. As paredes externas estão sujas e completamente pichadas. Um das janelas falsas do térreo, que foram recolocadas nas obras de 1995, já foi roubada. Agora o interior é realmente algo muito, muito pior, pois com alguma dificuldade vi pelos vidros sujíssimos das janelas que todo o acervo corre grave risco de sumir. Em todas as paredes veem-se muitas inflitrações. Pelas manchas, a água da chuva deve descer intensamente sobre o acervo. O diorama do acendedor de gás está em ruínas com o lampião e os manequins desmantelados no chão. O documento do Barão de Mauá, talvez pelo cubo de vidro que o está protegendo, ainda esteja razoavelmente intacto. A viatura da Société Anonyme du Gaz está com os pneus furados. Objetos do acervo estão entulhados nos cantos, onde muita sujeira e umidade, o que deve atrair todo o tipo de insetos, talvez até mesmo ratos, poe em risco toda uma memória do tempo em que os serviços de luz, gás, telefone e força eram geridos por apenas uma companhia.

Infelizmente esse é um péssimo exemplo de TOTAL descaso com nossa memória,pois a alguns metros dali, o Museu da Light, co-irmã em termos de acervo, é em opsição a este museu, um sucesso que deveria, pelo menos, servir como exemplo.

05/03/2012

Homem destrói escultura avaliada em R$ 40 mil em parque de Belo Horizonte




Uma escultura do profeta Jeremias avaliada em R$ 40 mil foi destruída por um homem no último sábado (3), no parque municipal Américo Rennê Giannetti, localizado no centro de Belo Horizonte.

O diretor de parques da área sul da Fundação de Parques Municipais, Homero Brasil Filho, disse que o acusado --identificado como Dadio Thadeu Coromaschi e morador da cidade de Brumadinho (região metropolitana de Belo Horizonte)-- apresentava sinais de embriaguez e teria subido no pedestal onde ficava a obra, derrubando-a ao chão. Ele foi detido logo após o episódio.

A artista plástica Valéria Delfim, autora da obra, reclamou de suposto descaso de policiais militares que atenderam à ocorrência e a teriam induzido a não prestar queixa contra o homem. De acordo com ela, a obra estava emprestada ao parque.

A guarda civil municipal da capital mineira, responsável pela segurança do parque, revelou que o homem não foi encaminhado a nenhuma delegacia por conta da desistência dela em prestar queixa contra o acusado da depredação. Segundo a corporação, foi feito apenas um boletim interno de ocorrência.

No entanto, a artista afirmou que um sargento da Polícia Militar, que se identificou apenas como Nogueira, teria dito não existir lei na qual o suspeito pudesse ser enquadrado e a estimulou a não prosseguir com a demanda --o que, de fato, ela fez.

Ainda de acordo com Valéria Delfim, foi produzido um boletim de ocorrência pelos policiais, o homem foi colocado em um carro da polícia, mas ela não soube explicar o que ocorreu depois.

“Eu até argumentei com o policial, mas ele disse ‘não, deixa isso para lá’. Eu ainda questionei sobre o fato de as pessoas entrarem em um espaço público, depredarem alguma coisa e depois não ter punição. Ele me disse que não tinha lei para o caso, e eu confesso que não entendo de leis”, declarou.

Versões desencontradas
Segundo Homero Brasil Filho, o homem foi encaminhado a um batalhão da Polícia Militar, situado no bairro Santa Efigênia, região leste da capital mineira.

O atendente do batalhão informou, porém, que ninguém é detido em unidades da Polícia Militar, mas encaminhado a delegacias da Polícia Civil mineira responsáveis pelas áreas onde são registradas as ocorrências.

Já a assessoria da Polícia Civil revelou que, por ter sido em um fim de semana, a ocorrência é registrada no plantão da corporação e, posteriormente, encaminhada à delegacia responsável pela área. No entanto, o setor disse que ainda não encontrado nenhum registro relativo ao caso. O UOL está tentando contato com o responsável pelo batalhão.

Reparação
A autora da obra salientou que aguarda uma decisão da Prefeitura de Belo Horizonte sobre o ressarcimento do valor da obra. A assessoria da prefeitura disse que o setor jurídico vai analisar o caso.

O diretor Brasil Filho afirmou que vai estudar, juntamente com o departamento jurídico, as medidas que podem ser aplicadas em uma possível ação judicial contra o suspeito.

Caso semelhante
Um caso semelhante aconteceu recentemente em Minas Gerais. No Carnaval, foi registrado um dano causado a uma cruz tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) na cidade histórica de Ouro Preto, localizada na região central de Minas Gerais.

Segundo a Polícia Civil mineira, três turistas do Estado de São Paulo foram indiciados por crime contra o patrimônio público após terem danificado, no domingo de Carnaval, a Santa Cruz da Ponte da Barra, datada do século 19. O caso foi encaminhado ao Juizado Especial da cidade.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/03/05/homem-destroi-escultura-avaliada-em-r-40-mil-em-parque-de-belo-horizonte.htm

25/02/2012

Condenada por inadimplência, a Bienal de Arte pode ser cancelada

Principal mostra do país precisa fazer acordo com o governo em 20 dias

Com problemas de gestão, a 28ª Bienal foi aberta ao público com o segundo andar do pavilhão projetado por Oscar Niemeyer vazio. O local foi invadido por um grupo de pichadoresAnderson Prado / Arquivo Diário de S. Paulo


SÃO PAULO - Numa corrida contra o tempo, o destino da Bienal Internacional de Arte de São Paulo será definido em 15 de março. Se até lá as contas da Fundação Bienal continuarem bloqueadas por inadimplência, a instituição começará a desmobilizar a equipe convidada a realizar sua 30 edição, prevista para setembro, dispensando curadores e artistas. Ontem haveria uma reunião em Brasília entre a Advocacia Geral da União (AGU) e representantes da Bienal para tentar encontrar uma solução ao impasse que desde janeiro ameaça uma das mais importantes mostras de arte contemporânea do mundo, ao lado da Documenta de Kassel e da Bienal de Veneza.

— Se a Bienal não se realizar, será um atentado à imagem da arte brasileira. Como um país que vai organizar uma Copa do Mundo e as Olimpíadas não consegue sequer realizar uma Bienal? — questiona José Roberto Teixeira Coelho, crítico de arte e curador do Masp.

Após a crise institucional que resultou na "Bienal do vazio", em 2008, uma nova gestão, liderada pelo consultor Heitor Martins, assumiu a Fundação Bienal à beira da falência, com um discurso de transparência e restauração. A próxima edição, com um orçamento de R$ 30 milhões aprovado pelo MinC, começou a ser planejada há dois anos, quando o curador venezuelano Luis Pérez-Oramas foi escolhido e começou a trabalhar com sua equipe curatorial, formada por Andre Severo, Tobi Maier e Isabela Villanueva.

150 colaboradores dispensados

O bloqueio realizado pelo Ministério da Cultura em 2 de janeiro, por recomendação da Controladoria Geral da União (CGU), incide sobre R$ 12 milhões captados via lei Rouanet para a realização da mostra deste ano. Também impede que a fundação capte outros R$ 8 milhões já comprometidos por empresas, também via incentivo fiscal. Outros R$ 5 milhões captados sem lei Rouanet estão livres, mas o valor é insuficiente para a realização da Bienal, que custa no mínimo R$ 18 milhões. A equipe de 150 pessoas contratada pelo programa educativo da Bienal já foi dispensada. O grupo trabalha na formação de monitores e professores, que são capacitados a preparar estudantes antes da visita à mostra e realizar debates depois.

A decisão do MinC de acatar a recomendação da CGU de listar a Bienal como inadimplente causa polêmica entre artistas, curadores, galeristas e gestores culturais, pois ameaça não só a realização desta edição da exposição — a que comemoraria seus 60 anos — mas sua existência. O relatório apresentado pela CGU ao ministério aponta irregularidades em 13 prestações de contas ocorridas entre 1999 e 2006, somando quase R$ 33 milhões. A CGU pode levar de dez a 15 anos para concluir se houve ou não desvios de verba. Se a Bienal continuar a ser considerada inadimplente durante as investigações, ela será impedida de captar novos recursos ou fazer convênios com o governo.

— A Bienal é um jogo ganho, mas o Brasil é um país autodestrutivo. Tem a capacidade de desfazer o que já conquistou — lamenta o artista plástico Nuno Ramos. — Neste momento de restauração de uma dinâmica digna, vem essa bomba relativa a dívidas de gestões anteriores. É trágico e fere um esforço louvável.

O bloqueio das contas pegou a equipe da Bienal de surpresa. A fundação vinha apresentando à CGU documentos e esclarecimentos, conforme solicitados pela auditoria, e mantendo diálogo constante com o MinC. A instituição já havia assinado em 2011 um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e devolveu ao ministério R$ 700 mil usados para consertar parte do teto do prédio. A obra foi considerada irregular pelo CGU, pois foi feita sem licitação.

Após ser listada como inadimplente, a Bienal entrou na Justiça contra a decisão do MinC, pedindo o desbloqueio urgente das contas para evitar o adiamento da mostra. O pedido de liminar foi negado pela Justiça Federal. Novo recurso está sendo analisado pelo Tribunal Regional Federal de São Paulo, mas é pouco provável que a fundação consiga a liberação dos recursos pela via judicial. A saída para que a mostra seja realizada na data prevista depende de uma negociação entre Bienal, MinC, CGU, Tribunal de Contas da União (TCU) e os ministérios públicos federal e estadual. Representantes de cada uma destas partes precisam chegar a um acordo e assinar um novo Termo de Ajuste de Conduta (TAC). A reunião de ontem em Brasília discutiria os termos iniciais deste documento. Caso as negociações se prolonguem, repassar os recursos já captados pela Bienal para outra instituição que esteja adimplente frente ao MinC seria uma solução temporária capaz de viabilizar sua realização.

— Tanto a realização da Bienal quanto a prestação de contas são de interesse público. Caberia ao ministério encontrar uma solução negociada, capaz de evitar o fim da Bienal e de recuperar dinheiro, se forem comprovados desvios — defende Nuno Ramos.

Procurado, o MinC não quis se pronunciar, alegando que o processo, transformado em Tomada de Contas Especial (TCE), é responsabilidade do TCU.

Num momento em que a arte brasileira ganha reconhecimento internacional, a 30 Bienal de São Paulo é um evento que está na agenda de curadores, colecionadores e galeristas de todo o mundo. Além de ser uma vitrine importante para o Brasil e para a produção latino-americana, a exposição aproxima a vanguarda das artes visuais do grande público e gera reflexões e debates que movimentam a cena contemporânea.

— Trata-se de uma instituição com um capital de realização poderoso. Poucas instituições brasileiras têm a mesma força, o mesmo espaço expositivo e a mesma marca histórica — avalia Teixeira Coelho, curador do Masp e crítico de arte.

Para o diretor artístico da galeria Vermelho, Eduardo Brandão, a importância da Bienal é o que a faz superar as crises e continuar a ser realizada.

— Esta não é a primeira Bienal que tem problemas. O cancelamento da mostra é uma hipótese muito remota, não só pela importância mas pela capacidade da gestão atual, que conseguiu sair de uma quase falência, levantou recursos e realizou uma excelente exposição em 2010 — lembra Brandão.

Não é a primeira vez que a Bienal vê sua existência ameaçada. Desde 1991, a instituição passa por altos e baixos, alternando momentos de crise institucional com o debate sobre seu papel na atualidade.

— A Bienal é um marco na arte brasileira contemporânea, que deve a ela muito de seu processo de internacionalização. Mas hoje nos perguntamos qual a diferença de uma Bienal e uma grande feira de arte — questiona a historiadora e crítica de arte Aracy Amaral.

Para o artista plástico Nuno Ramos, a importância da Bienal é indiscutível.

— A Bienal é o momento no qual as artes plásticas brasileiras se tornam públicas e artistas de ponta alcançam uma dimensão de público mais ampla. É uma dessas coisas que nos dá orgulho, que mobiliza forças culturais — acredita o artista, que em 2010 expôs na 29 Bienal a instalação "Bandeira branca", que continha dois urubus vivos que foram apreendidos, causando polêmica e atraindo a atenção do público.

Bienal adiada em 1993 e 2000

O risco de a Bienal terminar existe, acredita Ramos, discordando do diretor artístico da galeria Vermelho.

— É notável nossa incapacidade de criar ou manter algo contínuo e duradouro — afirma, lembrando que a Bienal foi adiada em 1993 e em 2000.

Críticos e curadores que sugerem que a Bienal repense seu papel acreditam que a instituição ganharia mais estabilidade ao investir na formação de artistas, oferecendo bolsas-residência. Também defendem o uso do prédio de Oscar Niemeyer com maior frequência para exposições intermediárias, como a mostra de 2011 "Em nome dos artistas", e o investimento na formação de um acervo formado pelas obras inéditas criadas por artistas convidados.

— A Bienal de Veneza existe basicamente nos mesmos moldes da de São Paulo e não vejo muitas cobranças para que ela se reinvente. Quem pede transformações à Bienal de São Paulo está, na verdade, cobrando uma redefinição de todo o sistema da arte no Brasil, que está em frangalhos. A maior parte dos museus e instituições culturais brasileiros vive à beira da falência todo mês — rebate Teixeira Coelho. — Quando um banco está à beira da falência ou sob suspeita, o poder público se mobiliza para salvá-lo. Da mesma forma, o problema da Bienal é um problema do Brasil e cabe a todos, poder público, iniciativa privada e sociedade civil, encontrar uma solução negociada para este impasse.


http://oglobo.globo.com/cultura/condenada-por-inadimplencia-bienal-de-arte-pode-ser-cancelada-4050607

28/12/2011

Louvre é acusado de danificar quadro de Leonardo da Vinci




RIO - O museu do Louvre, em Paris, está sendo acusado de ter danificado o quadro “The Virgin and Child with Saint Anne”, de Leonardo da Vinci, pintado há 500 anos. Os restauradores teriam limpado em excesso a obra, o que gerou um brilho que não existia na época renascentista, segundo o The Guardian.


Representantes da instituição não quiseram se manifestar, mas um membro da equipe disse anonimamente ao jornal que a restauração ultrapassou os limites de preservação e que os testes adequados não foram feitos. Os funcionários estão divididos entre o grupo que acredita que a obra está mais brilhante do que o normal e os que defendem que o trabalho esteja correto.


No dia 3 de janeiro, especialistas em arte renascentistas visitarão o Louvre para checar se a obra precisa ser retocada ou não.

Fonte: http://oglobo.globo.com/cultura/louvre-acusado-de-danificar-quadro-de-leonardo-da-vinci-3528250#ixzz1hrkjYOe0

18/09/2011

86% dos museus de SP têm problemas

Edison Veiga e Vitor Hugo Brandalise - O Estado de S.Paulo

A memória paulista está em risco. Um levantamento inédito produzido pelo Sistema Estadual de Museus (Sisem), órgão ligado à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, mostra que 86% dos 415 museus paulistas têm, ao menos, um problema grave.

Faltam políticas de conservação do acervo, cuidados de climatização, reservas técnicas, funcionários e, em alguns casos, visitantes - porque há instituições fechadas ao público. O diagnóstico mostra a situação em que se encontram documentos e peças importantes para a história de São Paulo. Se bem utilizado, pode indicar quais medidas urgentes devem ser tomadas pelos responsáveis pelos museus.

Para chegar aos dados, o Sisem mobilizou uma força-tarefa no ano passado. Oito agentes do departamento visitaram, entre maio e dezembro, os 190 municípios paulistas que têm ao menos um museu. O Estado teve acesso exclusivo ao material - a planilha completa pode ser acessada no portal estadão.com.br - e, nas últimas semanas, conversou com responsáveis por algumas instituições. Caso, por exemplo, do Museu Histórico e Pedagógico Amador Bueno da Veiga, de Rio Claro, a 181 km da capital.

Fechado desde 2004, o casarão histórico que abrigava o acervo pegou fogo em maio do ano passado. "Justamente quando estávamos para começar um restauro, pois havíamos conseguido verba de R$ 180 mil", conta Maryzilda Campos, diretora de Patrimônio Histórico do município. Por sorte, a maior parte do acervo estava guardada em outro endereço. Mas algumas peças viraram cinzas, como uma carruagem antiga e uma réplica da Pietà. Com verbas federais e municipais que chegam a R$ 4,2 milhões, o plano é reconstruir o casarão - a promessa é que as obras comecem em 2012.

"Isso é geral: não se pensa em manutenção, só em restauro. Então trabalhamos no extremo. Somos chamados para restaurar o que está praticamente acabado", critica o restaurador Arnaldo Sarasá Martin. "Por não haver manutenção, há museus com infiltrações, enchentes e teto desabando."

O secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo, garante que o levantamento do Sisem já é usado como bússola para indicar as melhores estratégias na administração dos museus. "Com esses dados em mãos, podemos dar apoio técnico e, em alguns casos, financeiro às instituições mais problemáticas", afirma. Neste semestre, a secretaria de Estado promete realizar planos museológicos para seis municípios e nove oficinas de documentação, ação educativa e conservação de acervos.

Como consequência imediata, a secretaria decidiu interromper o processo de municipalização dos museus estaduais, iniciado em 2009. "Agora estamos discutindo a municipalização caso a caso. Porque não adianta municipalizar, se a prefeitura não tiver fôlego para administrar um museu", diz o secretário.


FONTE: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,86-dos-museus-de-sp-tem-problemas,774018,0.htm

10/09/2011

A três semanas da Europália, evento com artistas brasileiros em cinco países, repasses de R$ 30 milhões de verbas públicas ainda estão começando

Obras brasileiras na Europália - Composição (1957), de Milton Dacosta.  Foto Divulgação

RIO — Tudo o que se refere à presença do Brasil como país homenageado da 23ª edição da Europália é em grande escala, menos o tempo. Contando na programação com cerca de 130 shows, 90 conferências, 60 apresentações de dança, 40 de teatro e 16 exposições divididos por cinco países (Bélgica, Holanda, Alemanha, França e Luxemburgo), o evento terá abertura acompanhada pela presidente Dilma Rousseff em Bruxelas daqui a três semanas, em 4 de outubro. E até agora praticamente nada dos R$ 30 milhões do governo federal foi repassado a artistas e produtores.

A saga começou em 2010, quando o então ministro da Cultura, Juca Ferreira, aceitou que o Brasil fosse homenageado, mas não previu dotação suficiente no orçamento de 2011 — apenas R$ 2 milhões, segundo o diretor de Relações Internacionais do MinC, Marcelo Dantas.

Após nove meses de estica daqui e puxa dali, a ministra Ana de Hollanda chegou na última segunda-feira ao rateio final da conta: R$ 10 milhões saem do departamento de Dantas; R$ 6 milhões, da Funarte; R$ 4 milhões, do Instituto Brasileiro de Museus; R$ 1 milhão, do Itamaraty, e R$ 9 milhões são dinheiro de renúncia fiscal captado com 11 empresas via Lei Rouanet.

— Os repasses estão começando. Estamos apertados, mas ainda dentro do cronograma — afirma Dantas, que, perguntado se a programação está 100% confirmada, adota a cautela. — Sempre pode acontecer um cataclisma, ou o departamento jurídico do ministério ver problema em algum contrato. Há um grau de incerteza que é da natureza do processo.

Os curadores convidados trabalharam meses de graça, mas já estão recebendo. Os artistas chamados por eles ainda não. Esses curadores dizem não poder cogitar a possibilidade de verbas não saírem e nomes serem cortados.

— Vou defender cada um até o final. Se faltar um, perde o sentido. Nem que eu vá para a rua arrumar dinheiro — afirma João Carlos Couto, responsável pelas artes cênicas.

— Traria um ônus muito grande para a credibilidade do país. Seria uma crise diplomática — diz o curador de música, Benjamin Taubkin.

— Seria desastroso, algo extremamente negativo para o país em todos os aspectos. Não quero pensar nessa hipótese — afasta Sonia Salcedo, que selecionou os artistas plásticos contemporâneos.

Este setor, que conta com Beth Jobim, José Bechara e outros, é um dos principais focos de incerteza, pois há artistas que precisam montar seus trabalhos in loco, mas as passagens não foram emitidas.

— Vivemos um estado de espera sem informações. A ansiedade cresce e a desconfiança também. O Ministério da Cultura continua sendo uma excentricidade no orçamento federal, um ornamento — diz David Cury, escolhido para realizar a intervenção “Corumbiara não é Columbine” no centro de arte Bozar, em Bruxelas.

O trabalho da curadoria começou polêmico em fevereiro, quando o pintor Adriano de Aquino foi convidado para substituir na direção geral o crítico Paulo Herkenhoff, escolhido pelo ministro anterior. Foram substituídos os curadores de artes visuais — com alguns estrangeiros sendo trocados por brasileiros — e os conceitos das exposições, especialmente as duas principais, que serão abrigadas no Bozar: “Brazil.Brasil” (do século XIX ao modernismo) e “Art in Brazil” (de 1950 aos dias de hoje).

— Não ouso narrar a história da arte contemporânea brasileira só a partir da antropofagia. Ela não dá conta — afirma Adriano, que decidiu priorizar a linha construtivista, havendo uma grande mostra dedicada a ela (neoconcretismo e seus desdobramentos, por exemplo), com organização do crítico Ronaldo Brito e núcleos de Franz Weissmann, Volpi, Milton Dacosta e outros. — Os estrangeiros ainda querem ver o Brasil na linha “Uma aventura na África”. Quando nos mostramos contemporâneos na abertura de temas e reflexões, eles tentam nos diminuir. Isso aconteceu na relação com os belgas.

Tensões com os anfitriões

Todos os curadores relatam tensões no diálogo com os representantes da Europália. Uma das preocupações dos belgas era ter na programação artistas capazes de atrair público.

— O rapaz me disse que ninguém menos do que Paulo Coelho seria capaz de encher o auditório de 300 pessoas do Bozar. Não vejo Paulo Coelho tendo alguma coisa importante a dizer sobre literatura brasileira — diz a professora e ensaísta Flora Süssekind, que convidou João Ubaldo Ribeiro para ocupar a função de escritor brasileiro mais conhecido.

Segundo ela, foi preciso batalhar nome por nome, entre eles Bernardo Carvalho, Milton Hatoun e Silviano Santiago. Entre os poetas, uma noite será dedicada a Augusto de Campos, de 80 anos, que estará acompanhado de Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Antonio Cicero e Cid Campos. Para a antologia por ora batizada de “Poesia brasileira contemporânea”, houve luta contra o belga que queria chamá-la de “A luz de Ipanema” ao ver potencial de vendas num verso de Claudia Roquette-Pinto.

— O que eles têm mais dificuldade de entender é quando a gente se pensa — ironiza Flora, que diz ter concebido a programação, que inclui conferências em universidades, imaginando poucos recursos (coube-lhe o R$ 1 milhão do Itamaraty).

Taubkin também ouviu — e rejeitou — a demanda por astros da música brasileira.

— Não se justificava enviar quem já vai com frequência à Europa. É preciso ampliar o espectro. Como é dinheiro público, quis fazer o mais abrangente possível — conta o músico, que convidou, dentre outros, Guinga, Tom Zé, a Velha Guarda da Portela e Céu, além de montar noites temáticas, como as reservadas ao choro e à viola caipira.

Assim como a literatura e a música, as artes cênicas estarão na Bélgica e nos outros países da Europália, entre outubro e fevereiro de 2012. Lia Rodrigues, por exemplo, estreará um novo balé, ainda sem título, em Paris, enquanto o diretor Enrique Diaz mostrará sua versão de “A gaivota” primeiramente em Amsterdã. João Carlos Couto também optou pela pluralidade, conciliando do Grupo Corpo ao Balé Folclórico da Bahia, das “Bacantes” de José Celso Martinez Corrêa a uma apresentação de índios caiapós e mehinakus.

— O Brasil pobrezinho ainda encanta a Europa. Precisamos dizer a eles que a mostra era artística, não social — diz Couto.


25/08/2011

CARTA-TESTAMENTO DA CULTURA

CARTA-TESTAMENTO DOS SERVIDORES
DO MINISTÉRIO DA CULTURA

Mais uma vez, as forças e os interesses contra o serviço público coordenam-se e novamente se desencadeiam sobre nós. Querem sufocar a nossa voz e enfraquecer a nossa ação, para que não consigamos prestar serviços de excelência à população brasileira.

Seguimos o destino que nos é imposto. Apesar do domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, acreditamos na soberania do nosso povo e no vigor de nossa cultura. A campanha dos grupos internacionais alia-se a dos grupos nacionais contrários aos serviços públicos e à garantia do trabalho dos servidores. Não querem que nós, trabalhadores da Cultura, tenhamos recursos para o bom cumprimento de nossas funções.

Temos lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a pressões constantes, baixos salários, más condições de trabalho, falta de pessoal, tudo isso para defender o nosso patrimônio cultural, nossos museus, teatros, o acervo de nossa Biblioteca Nacional, para fomentar as nossas artes, as danças, os cantos, os folguedos, a grande criatividade de nosso povo. Nada mais podemos dar, a não ser a nossa dedicação, o nosso compromisso com a garantia dos direitos culturais dos brasileiros.
Queremos estar sempre na luta por mais verbas para a Cultura, pelo acesso dos cidadãos às artes, aos bens, processos e produtos culturais, pelo ensino da música nas escolas, pela educação patrimonial, pelo direito à criação, à experimentação nas mais diversas linguagens artísticas, à difusão artística e cultural nos mais variados meios de comunicação. Quando a fome de sensibilidade, beleza, sonho e poesia bater à vossa porta, sentireis que sois seres humanos e que a nossa luta também é a vossa luta!

E aos que pensam que nos derrotaram respondemos com a nossa vitória. Pois esse povo que elege os governantes é o mesmo povo que não mais suportará ser maltratado por ninguém. Temos lutado de peito aberto. E vamos continuar lutando por melhores salários, por concurso público, pela valorização do Ministério da Cultura e da própria cultura brasileira. E que todos saibam que não sairemos da vida de lutas para entrar na história de derrotismo que os governos querem nos impor. Vivos (e bem vivos) entramos e continuamos na história.



http://soscultura2011.blogspot.com/p/carta-testamento-dos-servidores-do.html

Cultura em Greve - Protesto do Pijama

Cultura em greve em frente ao Museu da República.
Servidores da cultura, em estado de greve, vestiram pijamas em referência ao aniversário da morte de Getulio Vargas e protestaram. Eles distribuíram panfletos e leram um documento que chamaram de Carta Testamento, denunciando a falta de apoio à cultura.
Confira o Vídeo!

24/08/2011

CULTURA EM GREVE!

22/08/2011
SINTRASEF
Cultura em greve
Começou na segunda-feira, 22 de agosto, a greve dos servidores do Ministério da Cultura no Rio de Janeiro. Em assembleia realizada na frente do Edifício Gustavo Capanema, a categoria rejeitou, em maioria, a proposta apresentada pelo Governo e irão manter a mobilização por tempo indeterminado.

Os servidores da Cultura já deliberaram a greve antes mesmo de verem o texto, pois estavam cansados da enrolação do Governo. O pontapé inicial deles sugere a adesão dos trabalhadores federais dos outros ministérios e também de outros Estados.
O tom de insatisfação estava na proposta irrisória do Governo. “ A proposta de acordo feita pelo Governo é uma vergonha. Inaceitável. São R$ 211 para nível intermediário e R$ 105 para o nível auxiliar”, disse uma servidora.
Na sexta-feira, 19 de agosto, o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado do Rio de Janeiro (Sintrasef) recebeu de todo o Brasil os servidores do Ministério da Cultura e incentivaram a adesão em âmbito nacional. Representantes do Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul marcaram presença no evento.
Na Funarte de Minas Gerais, houve adesão ao movimento a partir de segunda. Em Santa Catarina, o Museu Victor Meirelles/IBRAM e Superintendência Estadual do IPHAN entram em greve na próxima sexta-feira (26). Antes, haverá paralisação de 24h na quinta (25), conforme deliberação do Encontro Nacional.
http://www.sintrasef.org.br/home/noticia.php?nid=1246

12/08/2011

Museu dos Teatros é desativado; acervo vai para o Teatro Municipal - CBN

O Museu dos Teatros do governo do estado, em Botafogo, foi desativado e parte do acervo que conta a história da dramaturgia do país será levada para o teatro Municipal. A secretária estadual de cultura Adriana Rattes explicou que o fechamento é para recuperação do prédio e também por causa do processo de remodelação de todos os museus... Adriana Rattes ressaltou que as mudanças relacionadas aos museus têm o objetivo de manter instituições fortes que atraiam visitantes para fortalecer os patrimônios culturais.

O IMPORTANTE NA POLÍTICA DE MUSEUS E NESSA QUESTÃO É A GENTE PENSAR QUE A GENTE NÃO, QUE NÃO TEVE SE TER PEQUENOS MUSEUS COM POUCA FORÇA, E O MUSEU DOS TEATROS NA VERDADE NUNCA FOI UM MUSEU NO CONCEITO DE MUSEU TOTAL, PRA VISITAÇÃO, PRA PROGRAMAS EDUCATIVOS. ELE ERA UMA RESERVA TÉCNICA, UM ACERVO IMPORTANTE APENAS...
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05/08/2011

Governo do Amazonas consegue anular tombamento de Encontros das Águas

A Justiça Federal do Amazonas anulou nesta quinta-feira (4) o tombamento provisório do Encontro das Águas do rios Negro e Solimões, em Manaus. O fenômeno se estende por uma faixa de mais de seis quilômetros, onde os rios se encontram, mas não se misturam. O Encontro das Águas é uma das principais atrações turísticas de Manaus.

O tombamento provisório do fenômeno natural ocorreu em novembro do ano passado com o objetivo de proteger seu valor histórico, cultural, estético, paleontológico, geológico e paisagístico. No entanto, o governo do Amazonas ingressou com uma ação na Justiça Federal do Amazonas afirmando que houve falhas no processo administrativo de tombamento do Encontro das Águas. O Executivo amazonense questionou, na ação impetrada na Justiça Federal, a ausência de audiências públicas e que também não foi notificado do processo de tombamento do Encontro das Águas.

Pela decisão do juiz Dimis da Costa Braga, da 7ª Vara Federal, a falta de audiências públicas foi a grande falha do processo de tombamento do Encontro das Águas. As outras alegações do Executivo amazonense não foram acatadas. “Tratando-se de um bem cuja importância transcende, inclusive, os limites regionais, como é o Encontro das Águas, impõe-se oportunizar a participação da sociedade, órgãos, institutos e outros interessados no processo de tombamento”, diz o juiz na decisão.

“De outra forma, as audiências e consultas públicas nada mais são que instrumentos utilizados para dar efetividade aos princípios ambientais da participação e informação, os quais se encontram expressamente previstos no Princípio nº 10 da Declaração do Rio/92 (Eco/92). Faz-se imprescindível que o Iphan, antes da conclusão do processo, realize pelo menos uma audiência ou consulta pública na cidade de Manaus e pelo menos uma em cada um dos municípios cujo território incida na área tombada”, complementa o magistrado. A reportagem do iG não conseguiu contato com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Apesar da decisão, o juiz reconhece a importância do bem para a cidade de Manaus e as constantes ações de degradação das margens dos dois rios, como a instalação de portos ilegais na região. Além de ser considerado um fenômeno natural único, o Encontro das Águas também tem o sítio arqueológico mais antigo do Amazonas já encontrado. O sítio dona Stella tem vestígios arqueológicos dos anos 8.000 a 9.000 antes de cristo.

O processo de tombamento do Encontro das Águas é alvo de uma grande polêmica desde o ano passado. Não somente o governo do Amazonas como empresários questionam a ação do Iphan buscando uma flexibilização da área e das regras do tombamento. Na região, a empresa Lajes Logística pretende construir um porto na margem direita do Encontro das Águas, um projeto de aproximadamente R$ 200 milhões. Os responsáveis pelo projeto afirmam que a obra gerará 600 empregos diretos durante a construção e 200, quando estiver em fase de operação. O porto ocuparia uma área de 600 mil metros quadrados.

Na terça-feira, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) já havia liberado a licença de instalação do porto, apesar da área ainda ser considerada, naquele momento, provisoriamente tombada. A decisão foi de encontro a uma determinação da Justiça Federal do Amazonas que proibiu o seguimento de qualquer processo de licenciamento antes da definição sobre a confirmação ou anulação do processo de tombamento do Encontro das Águas.

FONTE: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/am/governo+do+amazonas+consegue+anular+tombamento+de+encontros+das+aguas/n1597117889461.html

04/08/2011

Para dirigente do Iphan/RJ, é 'ridículo' dizer que ele não pode autorizar obras no Maracanã

Roberto Pereira de Souza
Em São Paulo

O superintendente do Iphan, no Rio de Janeiro, Carlos Fernando Andrade, negou nesta quarta-feira (03/08) que tivesse cometido improbidade administrativa ao autorizar previamente a demolição da marquise do Maracanã, tombado em 2000 por seu valor histórico e etnográfico. A juiza Regina Coeli Formisano, da sexta Vara Federal, pode conceder nas próximas horas liminar que interrompe as obras na cobertura do estádio.

O superintendente Carlos Fernando Andrade reagiu com mais veemência quando foi questionado sobre sua atribuição formal de conceder autorização prévia para obras em bens tombados. Para o procurador da República, Maurício Andreiuolo, houve improbidade administrativa por parte de Fernando Andrade.

“Isso é ridículo”, disse o superintendente do Iphan. “É minha atribuição cuidar de tudo”.

O pedido de liminar encabeça a açao civil pública movida pelo procurador da República Maurício Andreiuolo, que denuncia o que considera “uma série de irrregularidades desde a autorizaçao prévia assinada pelo superintendente até o início das obras sem análise do corpo técnico e conselho consultivo do Iphan”.

Questionado sobre os pontos que sustentam o pedido de liminar e o de ação civil pública federal contra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico, o superintendente do Iphan respondeu tópico a tópico.

Sobre a autorização prévia escrita em ofício e não em formulário técnico adequado como determina a Portaria 420 do Iphan:

“Entendi que numa análise complexa como esse meu parecer de 4 abril/2011, a portaria seria insuficiente e inadequada. Por ser documento interno, apenas o presidente do Iphan é que pode determinar a inadequaçao ou nao do uso ou nao do formulário ou da portaria. Formei um processo administrativo e enviei a Brasília. Até hoje, não recebi por parte da presidência do Iphan nenhum tipo de questionamento sobre o uso da portaria 420”, comentou Carlos Fernando Andrade.

Outro ponto negativo enfatizado pelo procurador da República se refere ao fato de as obras terem começado mediante uma simples autorização prévia, o que também “contraria o regulamento de preservaçao de bem tombado”.

“Eu concordo com isso também”, disse o superintendente ao ser questionado. “Autorizaçao prévia não é uma autorizaçao de obra. Mas acontece que a obra, nesse caso, é uma demoliçao . Há laudos sobre o estado de colapso da cobertura . É a retirada de algo que representa perigo para vidas humanas e para o bem tombado”.

Perguntado sobre quem deveria ter fiscalizado o bem tombado para evitar o colapso da cobertura, o superintendente foi genérico: “ todos nós, mas o Iphan não tem especialistas para realizar esse trabalho. Como o estádio é do Estado, entendo que era atribuição da Secretaria de Obras fazer esse acompanhamento de engenharia estrutural”.

O Maracana foi tombado em 2000 pela modalidade etnográfica e não como patrimônio histórico, de valor arquitetônico. Mesmo assim, o procurador da República pede a paralisação da demolição da marquise, atento ao fato de que as obras não foram formalmente autorizadas pelo conselho consultivo do Iphan.

Fonte: http://esporte.uol.com.br/futebol/copa-2014/ultimas-noticias/2011/08/04/superintendente-do-iphan-diz-que-e-ridiculo-dizer-que-nao-pode-autorizar-obras-no-maracana.htm

Fonte:

18/04/2011

Museu de Arte de Brasília

O Patrimônio Cultural da cidade esta caindo aos pedaços. O Museu de Arte de Brasília, criado para ser referência da arte contemporânea está fechado e cercado por mato há sete anos.
Do lado de fora do Museu de Arte de Brasília, o mato alto se espalha e há esculturas pichadas e sem manutenção. O prédio tem rachaduras e vidros quebrados. Ainda não há previsão para o início das reformas.
Confira o vídeo!

29/03/2011

prédios tombados da UFRJ em situação crítica.



UFRJ tem pelo menos mais um imóvel tombado em situação crítica.
RIO - Além do palácio no campus da Praia Vermelha, onde começou um incêndio nesta segunda-feira, a UFRJ tem pelo menos mais um imóvel tombado em situação crítica: o Hospital Escola São Francisco de Assis. O prédio de 1879, no Centro, tem a parte central apoiada em estacas de madeira e um dos blocos interditado, em ruínas.
— O hospital já tem uma obra emergencial licitada pela UFRJ, de orçamento próprio, um projeto de Lei Rounet e verbas captadas parcialmente pelo BNDES para a restauração de alguns pavilhões. É onde a situação está mais complicada. O escoramento já começou, e a obra deve começar em 90 dias — diz Andrade.
Outros três prédios históricos da UFRJ são tombados pelo Iphan: o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), tombado também pelo Inepac; o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista; e um prédio na Praça da República que já abrigou a Escola de Comunicação, de acordo com Carlos Fernando Andrade, superintendente do Iphan no Rio.
Segundo Andrade, o Museu Nacional passa por intervenções regulares e o IFCS também passou por obras emergenciais, incluindo reforma da parte elétrica e descupinização, já concluídas — agora o Iphan discute o projeto de restauração e remodelação com o Inepac.
— O prédio da Praça da República, que está literalmente caindo, foi cedido pela UFRJ ao Iphan, e estamos fazendo obras para a instalação da Casa de Samba, que deve ter a participação da prefeitura e do governo estado — afirma.
A UFRJ tem ainda três prédios tombados pelo Inepac: o da Faculdade Nacional de Direito, no Campo de Santana; a Casa do Estudante Universitário, no Flamengo; e a Fundação Universitária José Bonifácio, no campus da Praia Vermelha. Segundo a assessoria do Inepac, a diretora do órgão, Regina Matos, está viajando e não foi localizada para comentar a situação dos prédios.

22/03/2011

Tela de Benedito Calixto é furtada de pinacoteca no litoral paulista

Reprodução de imagem TV Globo

SÃO PAULO - A obra "Paisagem Europeia", pintada por Benedito Calixto em 1884, foi furtada da Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos, litoral paulista, no último domingo.

A tela foi adquirida pela Pinacoteca em 2000 e é avaliada em R$ 30 mil, quantia considerada baixa no mercado da arte.

Funcionários do local acreditam que a obra tenha sido furtada durante o dia, já que não há sinais de arrombamento. As imagens registradas pelas câmeras do circuito interno de segurança foram entregues à polícia para investigação.

Wikipédia

Benedito Calixto de Jesus nasceu em Itanhaém, litoral paulista, em 14 de outubro de 1853. Foi pintor, desenhista, professor e historiador. Autoditada, aos 16 anos ele chegou a pintar muros e placas de propaganda para sobreviver. Mudou-se para Brotas, no interior paulista, onde pintou paisagens de fazendas e retratos de cafeicultores. Em 1882, foi convidado a fazer entalhes e pintura do Teatro Guarany, em Santos. O trabalho lhe rendeu bolsa de estudos em Paris, no ateliê do mestre Rafaelli e na Academia Julian. Fez exposições de sucesso na Europa e, ao retornar ao Brasil, em 1884, trouxe na bagagem um equipamento fotográfico e tornou-se pioneiro, no Brasil, em pintar a partir de fotografias. Cerca de 500 obras do artista são catalogadas. Morreu em maio de 1927.


FONTE: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/03/22/tela-de-benedito-calixto-furtada-de-pinacoteca-no-litoral-paulista-924062458.asp

22/01/2011

Espaços culturais da prefeitura sofrem com má condição estrutural e programação irregular

Suzana Velasco
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Centros culturais do município em mau estado de conservação - O Castelinho do Flamengo - Foto André Teixeira / Agência O Globo

RIO - Quarta-feira, início de uma tarde de verão de mais de 30 graus. Não há ninguém na recepção do Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho, o Castelinho do Flamengo. Depois de alguns minutos, quando chega outro visitante, um funcionário sai da midiateca, onde as paredes e o teto descascados indicam uma infiltração. Na sala de leitura ao lado, há um ar-condicionado, mas ele está quebrado. Apenas uma das salas da exposição "Bonequinhos viajantes" tem refrigeração, e a recepcionista, de volta, enxuga o suor com uma toalha. O ambiente de precariedade se repete, com maior ou menor intensidade, em outros centros culturais da prefeitura, muitos instalados em casas históricas, que tinham tudo para ser convidativas. Sem programação e orçamento fixos, eles não têm identidade. Vivem no improviso, à espera de uma grana, de uma parceria, de um ventilador para atenuar o calor.

As descontinuidades no governo favorecem o abandono. Qualquer planejamento foi suspenso com a posse do novo secretário municipal de Cultura, Emílio Kalil, em dezembro de 2010, substituindo Ana Luisa Lima, que, por sua vez, assumira o lugar de Jandira Feghali, em abril. Procurado pelo GLOBO, Kalil não quis falar sobre a situação dos centros culturais até ter um rumo para eles. Mas não se conhece sequer a programação dos meses iniciais de 2011, que já deveria estar definida antes da posse do secretário. No fim do ano passado, a coordenadora de artes plásticas da secretaria de Cultura, Ana Durães, só sabia informar algumas das possíveis exposições no Centro de Arte Hélio Oiticica, na Praça Tiradentes.

- Temos alguns projetos em andamento: a exposição "Aquarela brasileira", com curadoria do Wilson Lázaro, e uma mostra de artistas valencianos. A do Victor Arruda está em negociação - disse Ana, no fim de dezembro.

Instalado num belo casarão com áreas abertas, atualmente em obras, o Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, em Santa Teresa, também funciona precariamente. A exposição "Abracadabra" reúne peças de arte popular do Museu do Pontal, mas parte do espaço está desocupada. Não há refrigeração - na sala da administração, as portas entreabertas revelam um pré-histórico ventilador de pé servindo a dois funcionários. Mas só há uma mulher em contato com os visitantes. Perguntada se existe algum folheto com informações, ela mostra um papel que traz apenas o nome da exposição.

Centro Cultural Laurinda Santos Lobo / Foto Leonardo Aversa/ Agência O Globo

omo consequência do abandono e da falta de programação regular, os centros culturais municipais têm um baixo número de frequentadores - no Castelinho e no Laurinda Santos Lobos, as funcionárias pedem para que o visitante não se esqueça de assinar o caderno de frequência -, num círculo vicioso que origina mais abandono. No Centro de Arte Hélio Oiticica, na Praça Tiradentes, poucos são os visitantes, apesar de uma exposição de mais qualidade em cartaz, "Geometria impura", uma coletiva de artistas mineiros - cujas obras são preservadas por ar-condicionado. Há apenas uma pessoa na recepção. Nos espaços de exposição, a cadeira de onde alguém deveria supervisionar as obras ou orientar os visitantes está vazia. Supõe-se que há um café no centro cultural, pelas mesas e cadeiras vistas por uma porta de vidro, mas ele está fechado.


FONTE: http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/01/21/espacos-culturais-da-prefeitura-sofrem-com-ma-condicao-estrutural-programacao-irregular-923580940.asp