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28/01/2015

Casa onde foi fundada a umbanda, em São Gonçalo, será demolida esta semana

A estrutura metálica já está pronta para receber o telhado do novo galpão que vai ocupar o número 30 da Rua Floriano Peixoto, em Neves, São Gonçalo. Dentro do terreno, uma casinha centenária aguarda a demolição marcada, segundo o proprietário, ainda para esta semana. Poderia ser uma simples obra, não fosse um detalhe: a casa rosa, com a pintura já castigada pelos anos, é a última testemunha do nascimento da umbanda.

Foi no imóvel — que ocupava o centro de uma chácara, no início do século 20 —, que Zélio Fernandino de Moraes, então com 17 anos, dirigiu a primeira sessão da religião. Era 16 de novembro de 1908. A umbanda é a única manifestação religiosa 100% brasileira.

— A demolição nos deixa muito decepcionados, pois perdemos uma referência da chegada da mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas — diz Pedro Miranda, presidente da União Espiritista de Umbanda do Brasil, em referência à entidade que orientou Zélio a fundar a religião.

Espíritos tristes
A notícia também surpeendeu a mãe de santo Lucília Guimarães, do terreiro do Pai Maneco, em Curitiba, Paraná. Na década de 1990, ela veio ao Rio para pesquisar as origens da religião.

— Imagino que até os espíritos estejam tristes. É uma pena — lamenta ela.
Há mais de cem anos com a família de Zélio, o imóvel onde surgiu a umbanda foi vendido recentemente para o militar Wanderley da Silva, de 65 anos, que pretende transformar o local em um depósito e uma loja.
— Eu nunca soube que a casa tinha essa história. Mas agora já comprei, investi, não posso deixar de demolir — explica-se.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), nunca houve um pedido de tombamento do imóvel. A antiga casa de Zélio também não é protegida pelo governo estadual ou pela Prefeitura de São Gonçalo.
De acordo com a última avaliação do IBGE, feita no Censo 2000, o Brasil tem quase 400 mil umbandistas. A religião está em todos os estados do país e também no Uruguai, Paraguai, Argentina, Portugal, Espanha e Japão.

‘Tudo acabou’
O terreiro de Zélio de Moraes — que recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade — funcionou por pouco anos em São Gonçalo. Os primeiros umbandistas mudaram-se logo para o Rio de Janeiro.

Primeiro, o centro funcionou na Rua Borja Castro, na Praça Quinze. A rua foi extinta, na década de 1950, para a construção da Perimetral. Dali, foram para a Avenida Presidente Vargas. O imóvel também foi demolido, dessa vez para dar lugar ao Terminal Rodoviário da Central do Brasil.

Uma nova mudança e mais uma demolição. A casa 59 da Rua Dom Gerardo, em frente ao mosteiro de São Bento, virou um estacionamento.

— Tudo acabou, eram prédios muito antigos. Lamento que o último registro também vai desaparecer. Mas o mais importante é que os ensinamentos do meu avô se perpetuem — pediu a neta de Zélio, Lygia Cunha, que hoje preside a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. O terreiro agora funciona em uma sede própria, em Cachoeiras de Macacu, no interior do estado.



Capela de São Pedro

Antes de ser vendida, a casa onde nasceu a Umbanda abrigou uma capela católica. A última moradora do imóvel, uma descendente de Zélio que é muito católica, cedeu o espaço para os devotos. Quem administra a igrejinha — que também mudou de endereço — é dona Geraldina dos Santos, de 74 anos.
— Não tenho preconceito, não. Todos somos filhos de Deus. Se a religião nasceu lá, a casa devia ser preservada. É importante — disse.


Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/casa-onde-foi-fundada-umbanda-em-sao-goncalo-sera-demolida-esta-semana-2682118.html#ixzz3QAPPfCcm




03/08/2012

Estátua de Padre Cícero está em processo de tombamento

Iphan também quer registrar como bem imaterial as festas de Santo Antônio, em Barbalha, e as Romarias, em Juazeiro do Norte

Fortaleza - A estátua de Padre Cícero em Juazeiro do Norte, centro de peregrinação no Nordeste, está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O mesmo Instituto abriu processo para registrar como bem imaterial as festas de Santo Antônio, em Barbalha, e as Romarias, em Juazeiro do Norte, ambas no Cariri cearense. Os três processos são acompanhados pelo Ministério Público Federal no Ceará. Neste sentido foi aberto um procedimento administrativo pelo procurador da República, Rafael Ribeiro Rayol. 

Para o procurador existe a necessidade de conservar a Estátua de Padre Cícero, monumento, construído em homenagem a um dos ícones da religião e política do Nordeste brasileiro e leva anualmente milhares de romeiros ao alto da colina do Horto, onde está a estátua que mede 27 metros de altura.

Sobre às celebrações de cunho religioso, Rafael Rayol destaca que o decreto 3.551, de 4 de agosto de 2000, instituiu o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial do Patrimônio Cultural Brasileiro. Este decreto determina que este atos religiosos podem ser registradas no Livro de Registro das Celebrações, em que são inscritos rituais e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social.

A previsão é que o Iphan conclua os processos até o final do primeiro semestre de 2013. O processo mais aguardado é do tombamento da estátua que prevê ainda a preservação da Casa dos Milagres, próximo à Capela do Socorro, onde Padre Cícero foi enterrado. O Iphan e a Universidade Federal do Ceará (UFC) estão fazendo levantamentos para fundamentar os tombamentos.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,estatua-de-padre-cicero-esta-em-processo-de-tombamento,910666,0.htm


01/06/2012

Demolição do QG da polícia militar e o apagamento da memória

Historicamente, a cidade do Rio de Janeiro é palco de grandes construções em nome da modernidade. Desde as obras do Prefeito Pereira Passos em nome da modernização de uma cidade atrasada e pestilenta, passando pelas políticas do Governador Carlos Lacerda onde o Rio de Janeiro padecia sob a poluição visual das favelas da zona sul. Atualmente a cidade atrai investimentos por causa dos jogos e infelizmente longe de ser este um motivo para valorizar os imóveis históricos, tornando estes mais um motivo para a valorização dos arredores, nossa política os entende como um atraso.

Fachada do QG da PM
Quem frequenta a Lapa a algum tempo sabe o quanto esta parte histórica da cidade esteve durante muito tempo largada, e muitos até aprovam as recentes políticas de valorização do terreno. O problema é que com as recentes obras, os arredores passaram a ser valorizados, e a aproximação com o centro da cidade ajuda bastante e elevar os preços. Tanto que, prédios históricos passam a ser vistos como empecilhos para outros prédios interessados em levar suas empresas ao valorizado espaço. É o caso do Quartel General da PM que se localiza nas proximidades do terreno. Este teria sido vendido à Petrobras, por R$ 336 milhões e embora os papéis ainda não tenham sido assinados, a polêmica em torno da transação já é grande. O acordo implica na demolição imediata do imóvel do século XVIII para que seja construído no espaço de 13,5 mil m² um arranha-céu. Outro ponto chama muito atenção para esta transação, é que a mesma não passou por nenhuma aprovação na Alerj uma exigência para a Lei de Licitações. O governo do Estado justifica a venda do imóvel afirmando que o dinheiro seria gasto dentro da própria PM.

O Professor da UFRJ Marcos Bretas afirma que desde a ditadura, o Brasil não possui interesse em preservar a memória das forças armadas. A título de exemplo, cita o caso do presídio de Ilha Grande, um lugar onde muitos presos políticos foram levados, além de ser também um dos possíveis locais do surgimento da Falange Vermelha que mais tarde se tornaria Comando Vermelho.

Aquele foi um exemplo claro de apagamento da história. A demolição foi quase uma vingança à ditadura e aos torturadores políticos, mas o prédio era uma construção do início do século XX que representa uma forma de como o Estado se organizava nessa área. (Marcos Bretas sobre a demolição do presídio de Ilha Grande)

Que a memória é fruto de escolha é algo que nós profissionais que lidam com a questão cotidianamente estamos cansados de saber, mas algumas vezes é ignorado que o esquecimento também nasce dessas escolhas. É nesta dinâmica entre os dois que a história é construída, destruída e reconstruída. Sendo ambos frutos de escolhas, devemos compreender os motivos pelos quais estamos fazendo tal opção e principalmente assumir as consequências disso.

Os motivos pelos quais o QG da polícia vai ser demolido, me parece muito mais financeiro do que um apagamento da memória. Não sei como andam os cofres públicos para investimentos em segurança, mas sei que política de UPPs está longe de ser um investimento barato; também sabemos o quanto a polícia é sucateada e com toda certeza não esquecemos a greve das PMs no Rio de Janeiro e a clássica invasão do corpo de bombeiros ao seu QG.
A melhor solução para o empasse seria segundo o pesquisador a criação de um museu que concentrasse a história da instituição ainda que se fosse demolir os outros. Eu particularmente não entendo dessa forma. Museu da Polícia Militar já existe, o que precisa é ser melhorado, ter seu espaço físico ampliado e principalmente o seu quadro de funcionários. Outra, no mundo inteiro prédios históricos são um atrativo a mais para a valorização dos arredores e bom policiamento também, porque um prédio da polícia militar não seria?

Existe o tombamento claro! Um válido recurso neste tipo de situação. A ação é do Carlo Caiado (DEM) na Câmara; e outro pelo deputado Paulo Ramos (PDT) na Alerj – ambos políticos de oposição ao governo. Mas o tombamento nem sempre é a melhor solução neste tipo de situação: soluciona o problema do patrimônio, mas não soluciona o problema do sucateamento da polícia militar.

Para saber mais: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/reportagem/caso-de-policia-1

29/11/2011

A nova obra de Oscar Niemeyer cabe no Aterro?


Encomendado a Oscar Niemeyer e orçado em mais de R$ 200 milhões, o projeto de uma casa de shows em pleno Aterro do Flamengo corre o risco de nunca sair do papel. Em entrevista ao jornal O Globo, o superintendente no Rio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Carlos Fernando Andrade, afirmou que o projeto era “impossível de ser aprovado” já que, no decreto que tombou a área, em 1965, não há “qualquer teatro previsto” entre os os equipamentos que o parque pode conter.

Encomendado ao arquiteto pelo Brazil Foodservice Group (BFG), grupo que administra a rede de churrascarias Porcão, o projeto, que ainda não tem nome, contaria com uma plateia de 2 mil lugares, balcões e camarotes com 500. A construção só poderia ser aprovada se o Iphan abrisse uma exceção, o que poderia gerar um precedente perigoso de obras não previstas no decreto original.

“Na época em que foi concebido, a ideia era de que se devia fazer áreas de lazer para o parque, como restaurantes e quadras de futebol”, explica o ambientalista Luiz Prado. “Mas colocar um empreendimento totalmente privado é algo que precisa ser discutido com profundidade com a população. Quem vai decidir isso? O Porcão? O Iphan? Na minha opinião, deveria haver um referendo. A população é que precisa decidir. É algo que está previsto na constituição e que só não usamos por preguiça”.

Prado acredita que a questão não é ambiental.

“Não tem nada a ver com meio-ambiente”, afirma. “Isso vai afetar o trânsito, talvez a vista. Não interessa se quem está fazendo é o Niemeyer. O que está em jogo aqui não é a arquitetura, mas a utilização do espaço público. E a utilização do espaço público no Rio virou uma bagunça danada”.

Por sua vez, o presidente da Associação de Produtores de Teatro do Rio de Janeiro, Eduardo Barata, lamenta uma possível barragem do projeto, que define como “firula burocrática”.

“Temos uma séria falta de espaços para se apresentar no Rio”, justifica. “Os editais nos permitiram aprimorar nossas espetáculos. Hoje temos mais peças, mas menos espaços para apresentá-las”.

Barata cita o fechamento de espaços tradicionais, como o Glória e a Galeria do Flamengo, além da suspensão temporária do Villa-Lobos (em função de um incêndio), para lembrar a importância de um novo projeto no Parque do Flamengo.

“Sendo uma obra do Niemeyer num espaço privilegiado, e ainda por cima carente de teatros, seria um impulso importante para o teatro no Rio”.

Ex-Secretário de Urbanismo do Rio de Janeiro, o arquiteto Flávio Ferreira também acredita que só a sociedade civil e a opinião pública deveriam decidir o futuro do projeto.

“Para o Iphan aprovar, teria que justificar uma exceção”, explica. “Esta exceção parte da reação da sociedade. Se a sociedade achar que será bom para cidade, teria uma justificativa. Eu, pessoalmente, acho o projeto muito grande. Não cabe naquele espaço”.

O deputado federal do PV, Alfredo Sirkis, concorda com a decisão do Iphan. “Aquela área é sensível, complicado em termos de acessibilidade e uma obra desse tamanho implicaria um impacto paisagístico. Já há uma casa de shows, que é o Vivo Rio, feito de acordo com o projeto original. O mais correto seria fazer a obra em outro local, não no parque”.

Fonte:http://opiniaoenoticia.com.br/brasil/politica/a-nova-obra-de-niemeyer-cabe-no-aterro/?ga=dtf

13/09/2011

Uma montanha bávara à sombra de Adolf Hitler

Sessenta e seis anos após sua morte, a alma de Adolf Hitler assombra ainda hoje uma montanha da Baviera - os alemães não sabem o que fazer dos vestígios de sua casa; e alguns não a querem como curiosidade turística, nem como memorial.

A antiga residência de Hitler nos Alpes.

Bombardeada, dinamitada, desimpedida com máquinas, não resta muito de "Berghof", a residência favorita do Führer nos Alpes, que frequentava regularmente durante mais de dez anos antes da morte, num bunker em Berlim, em 1945.

As autoridades evitam indicar o caminho, e é só quando se está no local que se descobre, num desvio da pista de cascalhos, no meio de uma floresta de pinheiros, um pedaço cinzento de muro, meio perdido na montanha, acompanhado de um quadro explicativo.

É o único vestígio que leva à casa que conhecemos, principalmente, através de filmes amadores, que mostravam um Hitler sorridente no terraço, ao lado de Eva Braun, tendo ao fundo a paisagem idílica.

Situada a meio caminho de Oberzalsberg, a montanha que domina a aldeia de Berchtesgaden, na fronteira germano-austríaca, o lugar serviu de estada para os soldados americanos de infantaria, GI's, antes de sua partida, em 1995.

Fachada de 'Berghof', na montanha de Berchtesgaden

"Quando os americanos estavam lá, não havia problemas," afirma Ingrid Scharfenberg, 80 anos, que dirige desde o final da guerra a pequena pensão "Zum Türken" bem ao lado de Berghof, e que, hoje, está mal acomodada, em relação à notoriedade da vizinhança.

"As pessoas dizem que esta é a montanha nazista e que todos em Berchtesgaden são nazistas. Mas não se pode detestar dez gerações simplesmente porque (Hitler) viveu aqui", comenta ela.

"Não há peregrinações neonazistas aqui", assegura por sua vez o diretor da agência de turismo, Michael Griesser.

"Os neonazistas são raros", afirma Axel Drecoll, 36 anos, historiador do Centro de Documentação de Obersalzberg, que apresenta uma exposição sobre Hitler e a ditadura nazista.

Acontece que, junto da casa, "um pequeno número de pessoas acendem, em segredo, velas e depositam flores, por ocasião do aniversário, ou para lembrar a morte" do ditador, acrescenta ele. Mas tudo é recolhido e jogado fora pelo porteiro do Centro, que fica próximo.

Se o caminho em direção à residência de Berghof permanece quase confidencial, não acontece o mesmo com a estrada que leva ao "Ninho da Águia", um chalé construído pelos nazistas no pico de uma montanha vizinha, oferecido de presente a Hitler pelo seu aniversário de 50 anos.

Às dezenas de milhares, os turistas pegam uma rota vertiginosa para beber aí uma cerveja e admirar a paisagem espetacular.

Para alguns, a aura do ditador envenena menos o Ninho da Águia do que a casa de Berghof, porque Hitler sentia vertigens, e ia pouco lá.

Para evitar qualquer curiosidade doentia, o Estado da Baviera retirou de helicóptero, do Ninho da Águia, alguns móveis de época que ainda estavam no local.

Numerosos historiadores, entre eles Egon Johannes Greipl, chefe do Departamento bávaro de Monumentos Históricos, gostariam de ver tombados todos os sítios nazistas da região.

"Ninguém pensaria em demolir as ruínas de Olímpia (na Grécia) a pretexto de que tudo ficaria mais bem apresentado num Centro de documentação", afirma Greipl. "São testemunhas in loco da História", que falam de um período crucial e de um fato, os crimes nazistas".

Greipl considera incoerente que a Baviera tenha incluído, secretamente, durante décadas, esses locais numa lista de sítios históricos protegidos, antes de decidir "por motivos políticos" varrê-los do mapa.

"Atribuir um estatuto cultural particular à casa Berghof" e a outras ruínas nazistas, entre elas 12 quilômetros de bunkers e de túneis sob a montanha, "serviria apenas para encorajar a construção de uma espécie de trilha do nacional-socialismo", replica Walter Schön, funcionário local encarregado do patrimônio e número dois do ministério da Justiça da Baviera.

Charlotte Knobloch, dirigente da comunidade judaica de Munique, lamenta igualmente qualquer ideia de tombamento.

"De qualquer forma, não resta nada" de Berghof e é preciso evitar fazer da casa um alvo de peregrinação neonazista, segundo ela.

Drecoll, por sua vez, tem menos medo de atrair grupos de extrema-direita do que ver os locais desvirtuados numa espécie de "Disneilândia do nazismo", fora do contexto histórico.

"Claro, é preciso satisfazer a curiosidade dos turistas, mas sem cair no sensacionalismo", diz ele. A grande dificuldade é evitar que "a pesquisa histórica ceda lugar ao kitsch comercial".


Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/montanha-b%C3%A1vara-%C3%A0-sombra-adolf-hitler-185605993.html

25/08/2011

Cultura em Greve - Protesto do Pijama

Cultura em greve em frente ao Museu da República.
Servidores da cultura, em estado de greve, vestiram pijamas em referência ao aniversário da morte de Getulio Vargas e protestaram. Eles distribuíram panfletos e leram um documento que chamaram de Carta Testamento, denunciando a falta de apoio à cultura.
Confira o Vídeo!

05/08/2011

Governo do Amazonas consegue anular tombamento de Encontros das Águas

A Justiça Federal do Amazonas anulou nesta quinta-feira (4) o tombamento provisório do Encontro das Águas do rios Negro e Solimões, em Manaus. O fenômeno se estende por uma faixa de mais de seis quilômetros, onde os rios se encontram, mas não se misturam. O Encontro das Águas é uma das principais atrações turísticas de Manaus.

O tombamento provisório do fenômeno natural ocorreu em novembro do ano passado com o objetivo de proteger seu valor histórico, cultural, estético, paleontológico, geológico e paisagístico. No entanto, o governo do Amazonas ingressou com uma ação na Justiça Federal do Amazonas afirmando que houve falhas no processo administrativo de tombamento do Encontro das Águas. O Executivo amazonense questionou, na ação impetrada na Justiça Federal, a ausência de audiências públicas e que também não foi notificado do processo de tombamento do Encontro das Águas.

Pela decisão do juiz Dimis da Costa Braga, da 7ª Vara Federal, a falta de audiências públicas foi a grande falha do processo de tombamento do Encontro das Águas. As outras alegações do Executivo amazonense não foram acatadas. “Tratando-se de um bem cuja importância transcende, inclusive, os limites regionais, como é o Encontro das Águas, impõe-se oportunizar a participação da sociedade, órgãos, institutos e outros interessados no processo de tombamento”, diz o juiz na decisão.

“De outra forma, as audiências e consultas públicas nada mais são que instrumentos utilizados para dar efetividade aos princípios ambientais da participação e informação, os quais se encontram expressamente previstos no Princípio nº 10 da Declaração do Rio/92 (Eco/92). Faz-se imprescindível que o Iphan, antes da conclusão do processo, realize pelo menos uma audiência ou consulta pública na cidade de Manaus e pelo menos uma em cada um dos municípios cujo território incida na área tombada”, complementa o magistrado. A reportagem do iG não conseguiu contato com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Apesar da decisão, o juiz reconhece a importância do bem para a cidade de Manaus e as constantes ações de degradação das margens dos dois rios, como a instalação de portos ilegais na região. Além de ser considerado um fenômeno natural único, o Encontro das Águas também tem o sítio arqueológico mais antigo do Amazonas já encontrado. O sítio dona Stella tem vestígios arqueológicos dos anos 8.000 a 9.000 antes de cristo.

O processo de tombamento do Encontro das Águas é alvo de uma grande polêmica desde o ano passado. Não somente o governo do Amazonas como empresários questionam a ação do Iphan buscando uma flexibilização da área e das regras do tombamento. Na região, a empresa Lajes Logística pretende construir um porto na margem direita do Encontro das Águas, um projeto de aproximadamente R$ 200 milhões. Os responsáveis pelo projeto afirmam que a obra gerará 600 empregos diretos durante a construção e 200, quando estiver em fase de operação. O porto ocuparia uma área de 600 mil metros quadrados.

Na terça-feira, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) já havia liberado a licença de instalação do porto, apesar da área ainda ser considerada, naquele momento, provisoriamente tombada. A decisão foi de encontro a uma determinação da Justiça Federal do Amazonas que proibiu o seguimento de qualquer processo de licenciamento antes da definição sobre a confirmação ou anulação do processo de tombamento do Encontro das Águas.

FONTE: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/am/governo+do+amazonas+consegue+anular+tombamento+de+encontros+das+aguas/n1597117889461.html

04/05/2011

Acervo do Museu do Trem (RJ) é o mais novo patrimônio cultural do Brasil

04/05/2011
O Acervo do Museu do Trem, uma das maiores referências da memória ferroviária do país, foi tombado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, na última terça-feira, dia 3 de maio, em Brasília, na primeira reunião de 2011. Os trabalhos de inventário foram realizados por equipes multidisciplinares do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, ao longo de mais de uma década, quando foi publicada a notificação do processo de tombamento da coleção, medida que resultou em sua proteção provisória pelo poder público federal.
Com mais de mil itens considerados de valor histórico, o acervo abrange equipamentos ferroviários, utensílios, mobiliário e até locomotivas como a Baroneza, construída na Inglaterra, movida a vapor e a primeira a trafegar na estrada de ferro de Petrópolis. Outros destaques são um vagão usado pelo ex-presidente Getúlio Vargas e outro onde viajou o Rei Alberto, da Bélgica, quando esteve no Brasil em visita oficial, em 1922.

O Museu do Trem situado no bairro do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, abrigou o maior conjunto de Oficinas de Locomoção da América Latina, que ajudou inclusive na formação daquele bairro. A sua coleção, prestes a ser devidamente preservada, por conta de seus valores históricos e culturais, pertencia à RFFSA, extinta em 2007.

Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro de bens do patrimônio cultural brasileiro, presidido pelo presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 22 conselheiros de instituições como Ministério do Turismo, Instituto dos Arquitetos do Brasil, Sociedade de Arqueologia Brasileira, Ministério da Educação, Sociedade Brasileira de Antropologia e Instituto Brasileiro de Museus – Ibram e da sociedade civil.

Mais informações
Assessoria de Comunicação Iphan
comunicacao@iphan.gov.br
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(61) 2024-6187 / 2024-6194

Assessoria de Imprensa Iphan/RJ
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(21) 2233-6334 / 91277387

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Fonte: Imprensa Iphan/RJ

03/05/2011

Santa Catarina recebe o primeiro tombamento definitivo de paisagem cultural brasileira

Foram tombados imóveis que formam roteiros de colonização em seis cidades catarinenses

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural concedeu nesta terça-feira o primeiro tombamento definitivo de paisagem cultural brasileira a 13 imóveis em seis cidades de Santa Catarina que formam os roteiros de colonização percorridos por alemães, italianos, poloneses e ucranianos na Região Sul a partir do século 19.

Com a decisão, as cidades de Blumenau, Guabiruba, Nova Veneza, Pomerode, São Bento do Sul e Timbó se tornam as primeiras no país a terem tombamento de paisagem cultural, aquela que reconhece a importância histórica e memorial de paisagens singulares que se formaram com a interação do homem e o lugar. Foram tombadas residências de primeiros imigrantes, escola e maternidade.

Além das cidades catarinenses, o conselho consultivo tombou o conjunto histórico e paisagístico de Jaguarão (RS), na divisa com Uruguai. Formam a paisagem edificações coloniais, em art déco e também de padrão modernista; e a Ponte Internacional Mauá, sobre o Rio Jaguarão. A ponte é o primeiro patrimônio binacional reconhecido pelo conselho.

Em Belém, foram tombados conjuntos de bens dos bairros de Cidade Velha e Campina, a porção mais antiga da cidade, datados de 1616. Com a decisão a capital do Pará passa a ter mais de 3 mil edificações tombadas.

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural permanece reunido em Brasília e ainda analisa os pedidos para o tombamento do Acervo do Museu do Trem, no Rio de Janeiro (bairro de Engenho de Dentro). O Conselho pediu mais informações para decretar o tombamento do Terreiro Zogbodo Male Bogun Seja Unde, em Cachoeira, no interior da Bahia.

O conselho é a instância que avalia os processos de tombamento e registro de bens do patrimônio cultural brasileiro e é coordenado pelo presidente do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan). Formam o colegiado 22 conselheiros especialistas de diversas áreas como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia.