23/06/2010

Festa da Boa Morte é patrimônio imaterial da Bahia

A história da confraria religiosa da Boa Morte é um mixto das tradições africanas com a luta de mulheres oriundas destas mesmas raízes dentro de uma sociedade notadamente patriarcal com especial destaque para a cidade de Cachoeira.

Não pesquisei mais sobre a manifestação afro-católica, mas pude descobrir, (e assumo meRmo: usei o wikipédia) se tratar de um resquício de tradição barroca manifestada através de procissões pelas ruas numa mistura ao tempero baiano com comidas, danças e rituais sagrados.

Ao que tudo indica, muitas irmandades africanas foram erguidas durante o período, mas esta é a única que se tem notícias que foi construída, e mantida, apenas por mulheres que mantêm a tradição até os dias atuais.

O nome da irmandade provém da Nossa Senhora da Boa Morte, uma típica tradição católica de celebração de morte e ressureição, festejado da maneira africo-baiana: batucada, comida, indumentária.

Na festa que se inicia dia 13 de agosto tudo possui significado e cada dia é realizada uma celebração distinta: No primeiro dia da festa é as membros falecidas são lembradas em missa, e ceia, onde a cor branca simboliza a memória das mesmas. "No segundo dia acontece a procissão e a missa em louvor à “dormição” de Nossa Senhora da Boa Morte." No terceiro acontece a procissão para celebrar a "assunção" de Nossa Senhora da Glória (da boa morte).

Na revista museu uma nota sobre os motivos que levaram a prestigiar o festejo:

A memória oral sobre a Irmandade, registrada em um DVD-documentário produzido pelo IPAC neste ano (2010), remonta a fundação dessa instituição de escravos e ex-escravos na Igreja da Barroquinha, reduto onde outras irmandades se reuniam para cultuar seus santos de devoção. Pesquisa do IPAC registra que, em 1820, a Irmandade da Boa Morte instalou-se na cidade de Cachoeira – cidade hoje tombada como Patrimônio Nacional pelo IPHAN -, vinda de Salvador, fugindo da perseguição impetrada pelo general Madeira de Mello às irmandades religiosas negras na capital baiana.


Ao cedro à mão da provedora e a imagem da santa na caixa com a procuradora


A irmandade

A irmandade composta unicamente por mulheres negras com mais de 40 anos possui uma hierarquia estruturada onde cada mulher é responsável por um cargo que garanta a continuidade das tradições. A hieraquia:

  1. provedora
  2. procuradora
  3. tesoureira
  4. escrivã
  5. irmãs de bolsa.
A irmã de maior idade – hoje D. Estelita – é que sempre ocupa o cargo de juíza perpétua. As irmãs de bolsa são aquelas que passam por um período de três anos de observação até ocupar definitivamente o cargo de escrivã, quando podem receber a farda de honra.

Não preparei nada mais maduro sobre a celebração, nem sobre o reconhecimento deste novo patrimônio imaterial brasileiro, portanto aconselhos aos interessados clicarem aqui para conhecerem melhor o festejo, e no bom e velho wikipédia que faz a alegria dos universitários e o desespero dos professores.

Na revista museu é possível encontrar maiores detalhes sobre o reconhecimento, onde vou poupar o tempo que vocês gastariam clicando aqui e vou jogar o parágrafo final para apreciação geral:

Foi em reconhecimento a essa tradicional celebração que o IPAC iniciou os estudos que fundamentam o dossiê final para o registro da Festa da Boa Morte no Livro de Registro Especial de Eventos e Celebrações, o que torna a manifestação oficialmente um Patrimônio Imaterial da Bahia. As pesquisas e dossiê receberam aprovação do Conselho Estadual de Cultura (CEC), e passará a integrar um lugar no Livro de Registro Especial de Eventos e Celebrações do Estado da Bahia.


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