16/07/2013

Tesouro arqueológico ganhará novo destino na Zona Portuária

Peças encontradas na região irão para Centro Cultural até o fim do ano

Área era ponto de desembarque de escravos



O Centro Cultural José Bonifácio, na Gamboa, vai abrigar a exposição permanente das peças de escravos encontradas nas escavações da Zona Portuária -
Foto: Marcelo Piu
O Centro Cultural José Bonifácio, na Gamboa, vai abrigar
 a exposição permanente das peças de escravos encontradas
nas escavações da Zona Portuária -MARCELO PIU

RIO - Pulseiras, cachimbos, miçangas, amuletos e outros milhares de objetos usados por escravos africanos que desembarcaram no Rio entre os séculos XVII e XIX — peças que compõem um dos maiores e mais ricos acervos arqueológicos da cultura negra no país — vão fazer parte de uma mostra permanente do Centro Cultural José Bonifácio, um casarão de 1877 localizado na Gamboa. Esse tesouro, descoberto durante escavações para obras do Porto Maravilha e que por quase dez meses permaneceu depositado em contêineres, poderá ser visto pelo público até o fim do ano, quando o Centro Cultural será reinaugurado, após amplo restauro. Com isso será, enfim, fechado o Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana.

O Circuito, anunciado pela prefeitura em novembro do ano passado, reúne lugares simbólicos da cultura afro-brasileira no Rio, como o Cais do Valongo, os Jardins do Valongo, a Pedra do Sal, o Largo do Depósito e o Instituto Pretos Novos, além do Centro Cultural José Bonifácio — o casarão inaugurado por Dom Pedro II onde funcionou o primeiro prédio do Rio a ser projetado para receber uma escola pública e que, nos anos 90, foi transformado no Centro de Referência da Cultura Afro-brasileira, o maior da América do Sul.
— A inauguração do Centro Cultural será o epicentro desse Circuito Histórico da Herança Africana — acredita Washington Fajardo, presidente do Instituto Patrimônio da Humanidade, que tem trabalhado diretamente no projeto.
Só para restaurar o Centro Cultural foram gastos R$ 3,4 milhões, recursos da venda dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), criados para a revitalização da Região Portuária.
— O prédio estava cheio de infiltrações, com problemas sérios no telhado. As obras estão prontas, o que falta agora são ajustes — diz Alberto Silva, presidente da Companhia de Desenvolvimento da Região do Porto do Rio.
Todo o material recolhido durante as escavações no Porto, que inicialmente ficara armazenado de forma precária em contêineres, agora está sendo analisado sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), segundo Alberto Silva:
— Precisa ser feito um trabalho de catalogação, limpeza e triagem por especialistas. Nem tudo o que foi encontrado será exposto no Centro Cultural José Bonifácio. Se tivermos 30 cachimbos, serão escolhidos os de maior representatividade e relevância histórica. Se o material mais importante for mais extenso do que se imagina, pensaremos em outros espaços para abrigá-lo.
Para o historiador Nireu Cavalcanti, a exposição permanente desse material é importante porque “apresenta o cotidiano de uma população negra da qual praticamente não se tem registros”:
— Eram pessoas que chegavam aqui e perdiam sua identidade, como seu nome e origem. Então não se sabia mais nada desses escravos, Muitos inclusive faleceram nessas condições. Precisamos conhecer nossas origens, porque o povo que não conhece sua história é facilmente manipulado — explicou Nireu.
Centro terá biblioteca e restaurante
Além da exposição permanente com os achados arqueológicos do Porto, o palacete da Rua Pedro Ernesto vai abrigar também mostras temporárias que tenham a ver com a cultura negra, uma biblioteca sobre o tema, centro de convenções e, possivelmente, um restaurante especializado em culinária afro-brasileira.
Na mesma rua já funciona o Instituto Pretos Novos, que foi criado após a descoberta, em 1996, de um sítio arqueológico embaixo do piso da casa de Merced Viegas. Na época, ela fazia obras na sua casa, uma construção no século XVIII, quando descobriu que no local já havia funcionado o Cemitério de Pretos Novos, de escravos recém-chegados da África.
— A estimativa é que 40 mil escravos tenham sido enterrados lá, mas não temos como saber ao certo porque os corpos eram quebrados para ganharem mais espaço — diz Merced Viegas, proprietária da casa e que hoje mora num imóvel vizinho. — O Instituto vem recebendo cada vez mais visitantes, estudantes, jornalistas estrangeiros e cariocas interessados em conhecer um pouco dessa triste história.
A importância arqueológica do Porto ficou conhecida mundialmente em janeiro de 2011, quando arqueólogos encontraram o Cais do Valongo, por onde passaram mais de 500 mil negros vindos da África. A partir de então, equipes de especialistas coordenados pela arqueóloga Tânia Andrade começaram a percorrer toda a Região Portuária, onde foram encontrados milhares de objetos, não só de escravos. Moedas, ossos de animais, fragmentos de louças, resquícios de muralhas, trapiches, nove canhões. Hoje essa lista ultrapassa 80 mil itens.
Ponto de desembarque de escravos
Embebida na cultura negra, a região abarcada pelo Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana reúne lugares como a Pedra do Sal, o Largo do Depósito, o Instituto Pretos Novos, o Cais e Jardins do Valongo, além do Centro Cultural José Bonifácio.
— Ali era o lugar de desembarque dos escravos, um dos maiores portos de recepção da América até 1830, quando o tráfico foi posto na ilegalidade, muito embora o comércio tenha continuado como contrabando — diz Marcos Abreu, historiador especialista em Diáspora Africana. — Por causa disso, essa região toda girava em torno dessa prática.
O Instituto Pretos Novos, por exemplo, antigo Cemitério dos Pretos Novos, era o local onde os escravos que chegavam muito doentes eram enterrados em valas comuns. Já o Largo do Depósito, hoje Praça dos Estivadores, era onde se concentravam os armazéns dos “negociantes de grosso trato” que controlavam o mercado negreiro.
— A descoberta desses artefatos, como cachimbos e amuletos, é importante porque mostra que os africanos escravizados conseguiam refazer seus laços de sociabilidade, refazer sua cultura aqui. Os escravos estavam mantendo de forma adaptada sua cultura para um novo contexto — analisa Abreu.
Segundo o artigo “ As tias baianas tomam conta do pedaço — Espaço e identidade cultural no Rio de Janeiro”, da historiadora Mônica Pimenta Velloso, a história da região não se resume ao tráfico, mas se confunde com a própria história do samba. Na virada do século XIX para o XX, Saúde, Gamboa e Santo Cristo constituíam um espaço onde negros baianos emigrados para o Rio de Janeiro residiam e estabeleciam seus laços de sociabilidade e identidade cultural.
“Na Pedra do Sal surgiu o primeiro rancho carioca de que se tem notícia: o Rancho das Sereias, formado quase exclusivamente por elementos da colônia baiana. O fato se explica: a casa da tia Sadata, onde nasceu o referido rancho, era uma espécie de passagem obrigatória para grande parte dos baianos recém-chegados ao Rio. Conta-se que a casa, situada no alto do morro, oferecia uma visão panorâmica da Baía de Guanabara. De lá era possível controlar todo o tráfego marítimo. Para sinalizar a chegada de novos baianos, a embarcação já trazia na proa a bandeira branca de Oxalá. (...) Lá eles encontravam o apoio necessário para enfrentar a cidade hostil. Essa rede de solidariedade grupal acabou criando fortes vínculos entre os conterrâneos, levando-os a desenvolverem expressões culturais próprias em relação ao restante da cidade.”

http://oglobo.globo.com/rio/tesouro-arqueologico-ganhara-novo-destino-na-zona-portuaria-9049310

Roteiro mostra as ‘mais belas bundas’ do Louvre, em Paris

Numa visita de uma hora e meia no museu, guia mostra vários tipos, formas, estilos e épocas

“Dircé”, escultura do italiano Lorenzo Bartolini (1777-1850), em exposição no Louvre Foto: Reprodução
“Dircé”, escultura do italiano Lorenzo Bartolini (1777-1850), 
em exposição no Louvre. REPRODUÇÃO

PARIS - Há várias maneiras de descobrir as 35 mil obras expostas nos 60.600 metros quadrados das labirínticas salas do Museu do Louvre. No ano passado, 9,7 milhões de visitantes — um recorde — percorreram sinuosos caminhos por entre as coleções de arte divididas em oito departamentos. Mas à margem do enigmático sorriso da Mona Lisa e de outras incontornáveis obras de sucesso do acervo, o guia Bruno de Baecque optou por se aventurar por caminhos menos trilhados e mais voluptuosos. Certa vez, em uma de suas visitas com um grupo, uma das turistas comentou diante da pintura “A morte de Sardanapalo”, do pintor francês Eugène Delacroix (1798-1863):
— Este é o quadro mais erótico que já vi na minha vida.
Foi a centelha para que criasse um circuito singular, intitulado provocativamente de “As mais belas bundas do Louvre”. Numa visita de cerca de uma hora e meia, Baecque mostra bundas artísticas, muitas, pintadas ou esculpidas. De vários tipos, formas, estilos e épocas. De homens, mulheres e também de um hermafrodita. Para auxiliar na observação do derrière, o centro da visita, foi confeccionado um utensílio próprio, um triângulo de cartolina seguro por uma haste e com um furo para ajustar o olhar: pelo orifício é possível isolar do todo a parte do corpo desejada, oferecendo uma outra perspectiva. Mas o motivo do erótico circuito, segundo ele, é uma sedutora desculpa por trás do principal objetivo: introduzir um novo olhar na obra de arte. No trajeto, o contexto histórico e a biografia do artista estão em segundo plano, e sempre aparecem depois que a obra — e a bunda nela incluída — já foi devidamente analisada pelos curiosos e muitas vezes surpresos integrantes do grupo, limitado a 15 pessoas.
— Não é uma aula de História da Arte. Trata-se de uma verdadeira exploração do olhar, para que percamos as referências que já temos e descubramos novas sensações. O olhar é feito de camadas, e libera coisas quando olhamos uma, duas vezes, e por meio de diferentes ângulos — explica.
Além fazer o grupo circundar as obras, se inclinar ou se ajoelhar para obter novos ângulos de percepção, o guia provoca a interatividade, estimulando os turistas a definirem com uma palavra as bundas observadas. Diante de “Dircé”, escultura do italiano Lorenzo Bartolini (1777-1850), vêm as impressões: moderna, simétrica, bela, hiperatual, pêssego, damasco, tomate. No jogo do olhar proposto por Baecque, com uma simples mudança de perspectiva o traseiro de Dircé passa a ser “menos puro”, de “diferente volume”.
Neste vai e vem com a obra, a intenção é potencializar uma fórmula do artista contemporâneo Robert Filliou (1926-1987): “A arte é o que torna a vida mais interessante do que a arte.” Por isso, faz seu grupo exercitar o olhar diante de “Psiquê revivida pelo beijo do amor”, do italiano Antonio Canova (1757-1822).
— São dois amantes que se beijam. Podemos treinar intensamente nosso olhar aqui, e quando observarmos cenas semelhantes na vida real, na rua, num café, as sensações surgirão de forma mais rápida e diferente — defende.
Já as bundas “tônicas” da escultura em bronze “Mercúrio e Psiquê”, do holandês Adrien de Vries (1545-1626), são umas das “maiores do Louvre”.
— Não sei se vocês já tiveram a oportunidade de ver bundas tão grandes de tão perto — brinca ele. — Aqui é interessante observar a composição no espaço, na forma de um losango, formada junto com a coxa e a barriga da perna.
Após um exercício de observação alternada de frente e verso de “Escravo morrendo”, obra considerada uma das mais sensuais de Michelangelo (1475-1564), o circuito alcança seu “pico erótico” na Sala E. Trata-se de um corredor de ligação que acolhe a escultura “Centauro que enlaça uma bacante”, do sueco Johan Tobias Sergel (1740-1814).
— É a primeira mão na bunda da visita — diz o mestre de cerimônias, sem nenhuma cerimônia. — São dois personagens ardentes. Mas esta obra não se resume a uma mão na bunda. Além de sua força erótica, exprime um carinho, uma delicadeza. E quando mudamos de lado, pela esquerda os dedos aparecem mais penetrantes; quando se vai na direção da janela, a mão por trás desaparece, dando uma outra percepção.
O grupo então se depara com a citada pintura “A morte de Sardanapalo”, uma mescla de erotismo e morte. O próprio artista fez questão de explicar a cena: assediado por rebeldes em seu palácio, o rei da Assíria ordena a seus escravos e oficiais degolar mulheres, pajens, cavalos e cães. “Nada que tenha servido aos seus prazeres deveria sobreviver”, escreveu Delacroix. A atenção de Baecque se concentra na amante favorita do soberano, de costas em primeiro plano, com uma adaga apontada em seu pescoço, e nas alterações de nuances de cores e de formas conforme o ângulo de visão proposto.
— Se a observarmos daqui — diz o guia, levando seu grupo para a extremidade direita à tela — seu corpo se afina. É quase uma imagem em 3D, temos a impressão de que ela sai do quadro. Isolada, a sedução que ela opera sobre nós nos faz esquecer o resto.
A mesma experiência é feita com “A grande odalisca”, do também francês Ingres (1780-1867), na busca de novas sensações pela observação do quadro à distância, quando o corpo adquire outros contornos, com as costas mais alongadas.
— As pessoas só querem saber quantas vértebras a odalisca tem a mais, mas a verdadeira aventura do olhar está no que vemos quando estamos perto e longe. Este efeito que estamos observando só se tem a dez, 12 metros de distância — sustenta.
Algumas bundas além, o circuito se encerra com “Hermafrodita adormecida”, escultura romana do século II e retrabalhada pelo italiano Bernini (1598-1680), que acrescentou um leito ao personagem andrógino estendido lascivamente. De um lado mulher, de outro, homem, a peça de mármore intriga e por vezes constrange turistas no Louvre.
— É uma das obras mais fortes do percurso. É a canção “Walk on the wild side”, de Lou Reed — diz Baecque.
O professor Robert Bussière, de 54 anos, apreciou a visita pela possibilidade de ver algumas obras originais, normalmente ignoradas, por meio de um olhar alternativo. Madeleine Capiaux, de 67, aposentada, destacou a diversidade da seleção das obras, muitas delas ausentes dos circuitos tradicionais do Louvre, e também a abordagem do guia:
— Conhecer a arte pela História da Arte é importante, mas aqui é a emoção que conta. A emoção que uma obra exprime, seja qual for.
Bruno Guérin, de 44, fotógrafo e grafista, foi simples e direto ao ser questionado sobre o que descobriu na visita:
— Bundas magníficas!
http://ela.oglobo.globo.com/vida/turismo/roteiro-mostra-as-mais-belas-bundas-do-louvre-em-paris-9029926

Museu de Arte de Brasília (MAB) recebe novo projeto de reforma

A Secretaria de Cultura garante que a reforma será estrutural e transformará o MAB em um museu minimamente decente

A licitação para o início das obras deve ocorrer em setembro (Bruno Peres/CB/D.A Press)
A licitação para o início das obras deve ocorrer em setembro
Fechado desde 2007 por determinação do Ministério Público e alvo de sucessivas tentativas de reforma inócuas ao longo dos últimos 30 anos, o Museu de Arte de Brasília (MAB) está novamente na mira do Governo do Distrito Federal (GDF). Um projeto de reforma tocado pela Secretaria de Cultura pretende revitalizar o prédio localizado à beira do Lago Paranoá no Setor de Hotéis e Turismo Norte. São 4.800m² de área construída, cuja nova configuração está sendo preparada por uma comissão de cinco especialistas. Um engenheiro e um arquiteto cedidos pela Casa Civil da Presidência da República são responsáveis pelo planejamento que servirá de base para o projeto executivo da obra.

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Atualmente, o acervo de 1.300 peças do MAB está guardado na reserva técnica do Museu Nacional da República. Antes de encontrar espaço adequado, climatizado e monitorado, as obras sofreram com um show de horrores. Durante um tempo, chegaram a ficar guardadas na Galeria Athos Bulcão, hoje uma sala desativada no anexo da secretaria de Cultura. Quando ainda estavam no MAB, antes do fechamento, padeciam em uma reserva técnica inadequada. Goteiras, umidade e excesso de exposição às intempéries destruíram algumas obras, que precisaram ser restauradas. Um quadro de Tomie Ohtake apareceu rasgado, e uma série de fotografias de Claudia Andujar colaram umas nas outras.

INDUMENTÁRIA: ILUSTRADORA FAZ A CORREÇÃO DO VESTUÁRIO DAS PRINCESAS DA DISNEY

Olha a Branca de Neve com base na Alemanha do início do século XVI
Olha a Branca de Neve com base na Alemanha do início do século XVI
Existem imagens que são clássicas no nosso imaginário, uma delas são as princesas da Disney. A maior parte do mundo parece familiarizado com as personagens, sejam as mais antigas ou as mais novas. O que as torna tão icônicas? Alguns argumentam que são seus trajes, a grande referência. Mas, será que as peças estão alinhadas as vestimentas da época em que as histórias se passam? A ilustradora Claire Hummel, apaixonado por figurinos históricos, fez uma pesquisa, e descobriu que não, por isso e ajustou cada indumentária das princesas ao período correto.
Pocahontas com base no costume Powhatan século XVII
Pocahontas com base no costume Powhatan século XVII
O vestido da Cinderela é baseado em meados da década de 1860
O vestido da Cinderela é baseado em meados da década de 1860
Jasmine é baseada em desenhos raros de meados do período  pré-islâmica da moda oriental
Jasmine é baseada em desenhos raros de meados do período pré-islâmica da moda oriental
A Bela Adormecida com base no ano 1485
A Bela Adormecida com base no ano 1485
O de Ariel é baseado em 1890 nos vestidos de noite da época
O de Ariel é baseado em 1890 nos vestidos de noite da época
O vestido da Bela é baseado nas formas da corte francesa de 1770
O vestido da Bela é baseado nas formas da corte francesa de 1770
O figurino de Tiana é inspirado na cidade de Nova Orleans, berço do jazz.
O figurino de Tiana é inspirado na cidade de Nova Orleans, berço do jazz.
Mulan usa a tradicional veste da China Imperial, anos 450 d.C.
Mulan usa a tradicional veste da China Imperial, anos 450 d.C.
A princesa Megara usa vestido tradicional da Grécia Mitológica
A mocinha do Hércules, Megara, usa vestido tradicional da Grécia Mitológica

Sob nova direção


Nomeado novo presidente do Ibram, Angelo Oswaldo examina os seus desafios

Foi publicada ontem no Diário Oficial da União a nomeação do curador Angelo Oswaldo como o novo presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), órgão vinculado ao Ministério da Cultura. O Ibram é responsável por 30 museus federais, além de definir políticas de apoio à área em todo o País - o Brasil possui 3,3 mil museus. Ele já participou de sua primeira atividade como presidente do Ibram ontem mesmo, abrindo a exposição A Herança do Sagrado no Museu Nacional de Belas Artes, pertencente ao Ibram, ao lado da ministra Marta Suplicy.

Mineiro de Belo Horizonte, de 65 anos, Oswaldo é um dos maiores especialistas em museologia do País. Assume o Ibram, criado há quatro anos, com diversos propósitos, segundo disse ontem ao Estado. O primeiro, mais imediato, é instalar dois novos museus federais em Brasília: o Museu Nacional da República (que contará com os valiosos acervos das instituições governamentais) e o Museu Nacional Afro-Brasileiro.

"Com a vinda da capital para Brasília, os museus históricos acabaram ficando na antiga capital, o Rio. É fundamental que Brasília também tenha museus nacionais à altura de sua importância", afirmou Oswaldo, que desde abril já acompanhava a transição no instituto. O novo presidente do Ibram admite que o Museu Nacional da República, que contará com obras do Banco Central, da Caixa Econômica, das embaixadas, dos palácios e dos diversos gabinetes do governo, será uma "grande vitrine" da gestão.

"É um objeto de cobiça não só de curadores, mas de grandes museus internacionais, que querem fazer mostras aqui. Eu espero que seja representativo da arte brasileira, pelo acesso às grandes coleções estatais, que constituem hoje uma espécie de segredo de Estado."

Outra missão urgente é ajudar na preparação do congresso mundial do International Council of Museums (Icom), organização da Unesco criada em 1946 e que congrega 30 mil museus em 137 países. O Brasil é anfitrião do encontro, que trará 4 mil museólogos do mundo todo ao Rio de Janeiro na segunda semana de agosto, para debates sobre os caminhos da museologia. Há uma expectativa que, no Rio, a organização eleja o brasileiro Carlos Roberto Ferreira Brandão, do Museu de Zoologia da USP, como seu presidente.

O foco de sua atuação, diz Oswaldo, se concentrará na modernização e valorização dos museus, na busca de recursos (tanto para os museus públicos quanto os privados), além de valorizar a formação, o papel educativo e a "efervescência cultural" nas instituições.

Angelo Oswaldo foi secretário de Cultura (1977-83) e prefeito de Ouro Preto por três mandatos (1993-1996; 2005-2008; 2009-2012). Em Ouro Preto, conta que se esforçou para criar um sistema unificado de museus - a cidade possui 14 instituições museológicas, entre federais, estaduais, municipais e eclesiásticas. É uma estratégia importante, motivo pelo qual quer ampliar o número de museus cadastrados no Sistema Nacional de Museus (hoje são 1,5 mil na lista).

Segundo informou, a ministra Marta Suplicy diz que uma das demandas mais frequentes que vão ao seu gabinete trata da instalação de novos museus. "O museu é hoje um equipamento social indispensável em qualquer cidade", afirma, chamando atenção para a chamada museologia social. Para Oswaldo, o "aporte conceitual" da novidade museológica é objeto de curiosidade em todo o mundo. Citou o Museu da Maré, na Favela da Maré, no Rio, uma das instituições a que a delegação da Dinamarca no Icom já tem definida uma visita.

Além da gestão cultural em Ouro Preto, Angelo Oswaldo foi secretário de Cultura do Estado de Minas Gerais (1999- 2002), presidente do Fórum Nacional de Secretários de Cultura (2002) e ministro interino da Cultura do Brasil (1986 e 1987), na gestão de Celso Furtado. Foi ainda chefe de gabinete do Ministério da Cultura (1986-88), presidente do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC), entre 1985 e 1987, e integrou os conselhos do Iphan (1994-2002), Fundação de Arte de Ouro Preto (1971-1981) e Patrimônio Cultural de Belo Horizonte (1989-1992). Em 2009, tornou-se presidente da Associação Brasileira de Cidades Históricas. Membro fundador da Rede de Cidades Barrocas da América Latina, foi seu vice-presidente no biênio 2011-2012, em Puebla, México.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sob-nova-direcao-,1051902,0.htm

Comissão aprova 474 novos cargos para o Iphan

Reprodução Tv Câmara
Deputado Roberto Santiago (PSD-SP)
Santiago: proposta dá mais "racionalidade" ao quadro de pessoal do Iphan.
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou, na quarta-feira (3), proposta do Executivo (5381/13) que transforma 474 cargos vagos do Plano Especial de Cargos da Cultura em postos de trabalho no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). De acordo com o texto, serão 107 novos cargos de analista, 119 de técnicos e 248 de auxiliares institucionais.
Segundo o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, os novos postos manterão a remuneração – de R$ 4.478,22 e R$ 2.820,42, a depender da formação exigida – dos cargos atuais vagos. No total, os salários representam R$ 27,5 milhões.
O objetivo do ministério é dar posse a novos servidores que foram aprovados em concurso público com validade até o primeiro semestre de 2014.
Racionalidade
O relator da proposta, deputado Roberto Santiago (PSD-SP), acredita que a medida deve garantir mais “racionalidade” ao quadro de pessoal do Iphan. “Percebe-se hoje uma grande diversidade de denominações, tanto nos cargos de nível superior quanto nos cargos de nível intermediário, que em nada parece contribuir para uma administração eficiente”, argumentou o parlamentar. Os cargos que deverão ser transformados reúnem 46 categorias diferentes, entre elas as de restaurador, datilógrafo e operador de áudio.
Tramitação
A proposta, que tramita em caráter conclusivo e em regime de prioridade, será analisada ainda pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

09/07/2013

Prefeito de São Gonçalo publica decreto de destombamento da área de Infantaria do Exército


O conjunto arquitetônico 3º Batalhão de Infantaria foi detombado
Foto: Hudson Pontes em 10/08/2011 / Agência O Globo
O conjunto arquitetônico 3º Batalhão de Infantaria foi detombadoHUDSON PONTES EM 10/08/2011 / AGÊNCIA O GLOBO
RIO- Apesar da mobilização de moradores e da maioria das entidades da sociedade civil de São Gonçalo em torno do que consideram um crime contra o patrimônio histórico e ambiental, o prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim (PR), publicou no Diário Oficial desta terça-feira, o destombamento da área do desativado 3º Batalhão de Infantaria do Exército (3º BI), no bairro Venda da Cruz, quase no limite com Niterói.
O estado planeja construir ali 1.240 unidades habitacionais para desabrigados do deslizamento de terras de 2010 no Morro do Bumba, em Niterói. O local é ocupado provisoriamente por 39 famílias, apenas nove de São Gonçalo. A denúncia foi enviada na semana passada por dez entidades para o Ministério Público Federal (MPF), com pedido de liminar.
Segundo o presidente da Comissão de Direito Administrativo da OAB/RJ, o advogado Bruno Navega, o destombamento só pode ocorrer se a Câmara Municipal derrubar a lei que tombou o patrimônio:
— O decreto é um verdadeiro desrespeito ao Estado Democrático de Direito e às prerrogativas do Poder Legislativo. Se o prefeito entende que a lei é é inconstitucional deveria ajuizar uma medida judicial para obter decisão destinada a suspender a sua eficácia. Não se admite, na ordem jurídica brasileira, a decisão do poder executivo de determinar o descumprimento de lei aprovada pelo Legislativo sob o argumento de suposto vício de iniciativa. O decreto do prefeito me parece nulo de pleno direito porque acabou gerando uma inconstitucionalidade infinitamente maior do que aquele que o mesmo sustentou existir na Lei que determinou o tombamento do imóvel — disse o representante da OAB.
Frederico Carvalho, um dos líderes do movimento contra o destombamento, afirmou que o decreto publicado pelo prefeito não tem valor jurídico e é uma afronta a toda a sociedade civil de São Gonçalo, o segundo município mais populoso do estado. Os moradores querem que o espaço seja usado para instalação de um quartel da PM e de instituições de cultura e lazer.
— O tombamento é feito por uma lei municipal. Um decreto não derruba uma lei. Já acionamos a OAB e a Câmara dos Vereadores e esperamos uma decisão do Ministério Público e da Justiça — comentou Carvalho.
De acordo com o procurador do município, Marcos Gonçalves, o decreto municipal não suspendeu a lei e sim autorizou que se pratique atos contrários a ela. Ainda segundo Gonçalves, foi proposta representação de inconstitucionalidade junto ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para que seja declarada a inconstitucionalidade da lei n. 362/2011.
— O decreto apenas objetiva permitir que um ato normativo inconstitucional possa ser descumprido no âmbito do município, pois a administração se subordina à vontade da lei, mas ela corretamente elaborada — explicou o procurador.

http://oglobo.globo.com/rio/prefeito-de-sao-goncalo-publica-decreto-de-destombamento-da-area-de-infantaria-do-exercito-8971387

Jornada Mundial da Juventude: arte e religiosidade ocupam museus Ibram no Rio

A cidade do Rio de Janeiro se prepara para receber a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), maior evento jovem da Igreja Católica. A JMJ acontece de 23 a 28 de julho e contará com a presença do Papa Francisco. A expectativa é que o evento receba mais de dois milhões de jovens de todo o mundo. No contexto, dois museus ligados ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC) realizam exposições que aproximam arte e religiosidade.

Integrando a programação oficial da jornada, o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA/Ibram) recebe a mostra A herança do sagrado. A exposição será aberta ao público no dia 10 de julho e fica em cartaz até o mês de outubro.

Durante a JMJ, o museu abrirá em horário diferenciado: de terça a domingo, das 9h às 21h. Aos domingos, a entrada será gratuita. Nos outros dias, a entrada custa R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia para estudantes e pessoas entre 60 e 64 anos). Há gratuidade para pessoas acima de 65 anos, estudantes da rede pública e de professores de órgãos reconhecidos pelo Ministério da Educação. Saiba mais.

Serão exibidas mais de 100 obras entre pinturas, esculturas, manuscritos e outras peças de arte sacra. Entre elas estão quadros de Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Caravaggio, Pinturicchio, Perugino, Sassoferrato, Bernini, Correggio, Annibale Carracci, Guido Reni e Beato Angelico.
Oratórios pertecem ao acervo de museu mineiro dedicado ao tema
Barroco brasileiro
Durante a JMJ, o MNBA também recebe a exposição Oratórios: relíquias do Barroco Brasileiro. O visitante poderá apreciar cerca de 115 oratórios, objetos e imagens sacras dos séculos XVII ao XX, pertencentes ao acervo do Museu do Oratório, instalado em Ouro Preto (MG), desde 1998. A mostra será inaugurada dia 16 de julho e fica em cartaz até o dia 18 de agosto.

Os oratórios falam de usos, costumes e tradições; evocam hábitos e características do ciclo do ouro e dos diamantes; narram o processo de contribuições afro-luso-ameríndias que se fundem na formação cultural brasileira.

A história da arte e da arquitetura se revela no conjunto dos oratórios, por meio da influência barroca, rococó e neoclássica. Até o final de 2013, a exposição itinerante chegará a outras cidades brasileiras. Visite a página do Museu Nacional de Belas Artes para mais informações.

Tesouros do MHN
Outra exposição relacionada ao tema religioso e que já está em cartaz no Museu Histórico Nacional (MHN/Ibram) é A Arte à Serviço da Fé – Tesouros do Museu Histórico Nacional. Ela fica em cartaz até o dia 18 de agosto. Nos dias 25 e 26 de julho, das 14h às 18h, terá entrada gratuita.

A mostra reúne cerca de 600 peças de sua expressiva coleção de arte sacra, entre as quais pinturas, esculturas em madeira e marfim, oratórios, e objetos da Capela Imperial.

Abrem a exposição três esculturas em marfim de origem luso-oriental e indo-portuguesa, do século XVII e XVIII. Elas fazem parte de uma coleção única no gênero no mundo, não apenas pela quantidade de peças (572 exemplares) como pela qualidade, da qual o público terá a oportunidade de conhecer inúmeros exemplares na exposição.
Visita à exposição no MHN será gratuita nos dias 25 e 26 de julho

Significativas também são as pinturas sobre madeira, realizadas na Bahia do século XVIII, que fazem parte de um conjunto de seis painéis utilizados nas procissões dos Passos da Paixão de Cristo, na época da Quaresma.

Ao lado das pinturas baianas, um importante conjunto de esculturas policromadas e outro de oratórios do período colonial.

Da Capela Imperial do Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, os visitantes poderão apreciar o frontão do altar em madeira policromada, um conjunto de toucheiros, cálice, custódia e sacras em prata. Saiba mais na página do Museu Histórico Nacional.
Homenagem a Aleijadinho
O Museu Villa-Lobos/Ibram também recebe uma exposição concebida especialmente para a Jornada Mundial da Juventude. A Ceia Brasileira de Ismailovitch – Homenagem ao Aleijadinho reúne três pinturas e 14 estudos preparatórios para esta que é considerada uma obra-prima do artista russo-brasileiro.

A exposição reúne uma pintura do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas do Campo (MG), um autorretrato, fotos e uma trilha sonora de Villa-Lobos, especialmente elaborada pela equipe do Museu Villa-Lobos, além de textos de Antônio Bento e Carlos Drummond de Andrade.

A abertura da mostra será no dia 22 de julho, às 19h, com a participação especial do Duo Márcio Mallard (Violoncelo) e Wagner Tiso (Piano) – diretor do museu. No recital, o violoncelo que pertenceu a Villa-Lobos, recentemente restaurado, será utilizado e serão executadas obras do compositor. A mostra fica em cartaz para o público de 23 de julho a 30 de setembro. Conheça a página do Museu Villa-Lobos.

Texto: Ascom/Ibram
Fotos: Divulgação MNBA, MHN/Ibram
Última atualização: 8.7.2013

Museu londrino conta história da homossexualidade



Bustos do imperador romano Adriano (com uniforme militar, à esquerda)
e de seu companheiro Antínoo The Trustees of the British Museum

LONDRES. Enquanto o mundo começa afinal a reconhecer juridicamente os direitos dos casais de pessoas do mesmo sexo, o British Museum acaba de inaugurar um projeto ousado iniciado há sete anos. O livro “A little gay history: desire and diversity across the world” (“Uma pequena história gay: desejo e diversidade pelo mundo”, em tradução livre), recém-publicado pela editora da instituição, é um catálogo com peças que comprovam que o homossexualidade faz parte da história da Humanidade há pelo menos 4 mil anos.
A publicação deve colocar ainda mais lenha na fogueira do debate que ganhou o planeta nos últimos anos. E talvez seja argumento final contra aqueles que defendiam o projeto que ficou conhecido como a “cura gay”, que tramitava no Congresso Nacional até a semana passada, quando foi engavetado.
- Não se trata da História de uma minoria, mas sim de parte da História da Humanidade. O desejo por pessoas do mesmo sexo sempre existiu em todas as culturas - disse ao GLOBO o curador do museu, Richard Parkinson, que está à frente do projeto desde 2006.
Peças selecionadas do acervo
Das milhões de peças do acervo do museu, 44 foram selecionadas em um primeiro momento para o livro, mas outras poderão ser identificadas a partir de novas pesquisas. Entre as escolhidas estão os bustos do imperador Adriano (117-138 d.C.) e do seu amante Antínoo. Este último, depois de morrer afogado no Rio Nilo com apenas 18 anos, foi declarado deus por ordem do imperador em luto, que também mandou fazer esculturas em sua homenagem e erguer uma cidade com o seu nome, Antinoópolis. De acordo com o British Museum, pesquisas realizadas com os visitantes, por ocasião de uma grande exposição sobre o imperador romano em 2008, mostravam que poucos sabiam da sua preferência por homens.
Xilogravuras eróticas japonesas também são destaques da publicação, em versões que mostram duas mulheres e dois homens fazendo sexo. Nesta última, um deles está vestido de mulher no estilo do tradicional teatro kabuki, em que atores interpretavam tanto os papéis masculinos quanto os femininos. Outra peça em destaque é a “Taça de Warren” (10 d.C.), considerada a aquisição individual mais cara já feita pelo museu, no valor de 1,8 milhão de libras (cerca de R$ 5,8 milhões). A taça de vinho romana é decorada com cenas de sexo entre homens e teria sido encontrada perto de Jerusalém. Também tem destaque uma lâmpada de cerâmica turca do século I que mostra duas mulheres fazendo sexo.
Bem antes destes objetos, no século XVIII a.C., a Epopeia de Gilgamesh, um dos poemas mais antigos de que se tem notícia, já tratava do desejo por pessoas do mesmo sexo. A tabuleta encontrada no Iraque conta a história do deus-herói Gilgamesh e seu companheiro íntimo, “o cabeludo e selvagem Enkidu”, como descreve o texto do museu. Ambos lutam e derrotam a deusa Ishtar. Enkidu, no entanto, morre pouco depois, o que leva Gilgamesh a passar o resto do poema atormentado pelo luto e tentando superar a morte do amigo. Antes mesmo de conhecê-lo, Gilgamesh fora alertado de que o amaria como uma esposa.
Para o museu, tal intimidade não significa necessariamente desejo sexual. Mas alguns historiadores discutem sobre o uso de palavras ou expressões que poderiam ser interpretados desta maneira, e se Gilgamesh e Enkidu não eram apenas amigos, mas amantes: “uma relação homossocial ou homossexual? Não há contato sexual claro, mas a relação é descrita de maneira erótica”. O British Museum optou deliberadamente por não realizar uma exposição específica com as peças selecionadas para o catálogo. A explicação é simples: achou-se que singularizar um punhado de peças da coleção seria, mais uma vez, lidar com este tema universal como um assunto de minorias.
- Não se trata de um estudo da academia, como os que já foram feitos, que só será lido pela comunidade ou pelos acadêmicos gays. O que queremos é despertar os cidadãos em geral para o assunto. Estamos fazendo um trabalho para uma audiência maior, para todos os públicos. Esta é uma História que pertence a todos, que fez parte de todos os períodos em todas as culturas - ressaltou Parkinson.
Mesmo assim, tudo o que está no livro pode ser visto, seja virtualmente (a coleção completa do museu está disponível em www.britishmuseum.org), seja ao vivo e em cores. As coordenadas estão indicadas no site. Como nem todos os objetos estão em exibição permanente por questões de conservação, recomenda-se o agendamento prévio para estes itens específicos.
- A evidência do desejo por pessoas do mesmo sexo e as ideias de gênero foram sistematicamente deixadas de lado no passado, mas os museus, com as suas coleções, podem nos permitir olhar para trás e identificar a diversidade ao longo da História - afirmou o curador.
De acordo com Parkinson, estes tipos de evidência, muitas vezes parciais e, em alguns casos, ambíguas, foram sistematicamente escondidas ao longo da História, ou simplesmente censuradas. Assim, o projeto do livro começou quando o museu foi procurado por uma especialista que queria reunir essas informações do passado. O curador admitiu que a iniciativa enfrentou algumas dificuldades básicas, tais como a escolha das melhores palavras para tratar o tema. Para ele, o emprego do termo “gay” está longe de ser o mais adequado. O ideal seria “desejo por pessoas do mesmo sexo”, que acredita estar mais descolado de rótulos, mas, reconheceu, ele não atingiria o público geral com o mesmo entendimento.
- Estamos falando do rótulo. Existem muitas maneiras de ser gay, não só os estereótipos, e acho que “desejo por pessoas do mesmo sexo” é mais adequado para falar deste passado mais distante. Não dá para usar o mesmo rótulo dos dias de hoje - avaliou.
As peças no catálogo, que já está à venda na loja do museu e nas principais livrarias londrinas, também incluem objetos modernos, tais como bótons de campanhas pelos direitos homossexuais.

http://oglobo.globo.com/historia/museu-londrino-conta-historia-da-homossexualidade-8937034

03/07/2013

Un museo sueco permitirá a sus visitantes 'desenvolver' a momias egipcias

Un museo sueco permitirá a sus visitantes 'desenvolver' a momias egipcias
Un museo en Suecia digitalizará su colección de momias en 3D para que los visitantes puedan 'desenvolver' una momia real en formato digital.

Un museo en Suecia digitalizará su colección de momias en 3D para que los visitantes puedan 'desenvolver' una momia real en formato digital.

El museo Medelhavsmuseet en Estocolmo digitalizará seis momias utilizando un proceso llamado 'tecnología de captura de la realidad', que consiste en la creación de modelos digitales de alta resolución en 3D mediante la compilación de fotos y datos de escaneos de rayos X.

Los creadores del proyecto esperan que esa innovación ayude a los visitantes a obtener un entendimiento más profundo de la vida en el Antiguo Egipto.

"Podemos crear una copia virtual de la momia. Nuestro objetivo principal es establecer nuevas maneras en las que los museos puedan trabajar con la digitalización en 3D y la visualización interactiva, para hacer colecciones más accesibles a otros museos, investigadores y visitantes", dijo Thomas Rydell, del Instituto Sueco Interactivo.

"Este proyecto trata de momias, pero los mismos métodos podrán aplicarse a una gran variedad de objetos y artefactos históricos", agregó Rydell.

Los visitantes del museo podrán hacer 'zoom' en muy alta resolución para ver detalles como marcas y tallas en un sarcófago. Asimismo, podrán 'desenvolver' una momia desprendiendo capas virtuales de la envoltura para explorar los objetos que fueron enterrados con el cuerpo.

"La tecnología permitirá a nuestros visitantes obtener una comprensión más profunda sobre las personas que se encuentran dentro de las envolturas de la momia", señáló Elna Nord, responsable de la exposición que está previsto que se inaugure en la primavera de 2014.

Um museu à prova d’água

Após levar um susto com o furacão Sandy, nova sede do museu Whitney, em NY, se torna modelo antitempestade

Diretor do Whitney, Weinberg teve que
 repensar reforma do museu após furacão Sandy
ROBIN POGREBIN
THE NEW YORK TIMES

Nova York. Quando Adam D. Weinberg planejou um novo lar no West Village para o Whitney Museum of American Art, ele não esperava ter que se preocupar com muros à prova d’água ou com encontrar uma companhia de engenharia hidráulica que fabrica escotilhas estanques para a Marinha norte-americana. Mas o fato é que Weinberg, diretor do Whitney, também não esperava pelo furacão Sandy.A tempestade atingiu o museu em cheio, bem quando as obras haviam começado na sua nova sede, ao lado do rio Hudson. O porão foi inundado por 10m de água, o que deixou claro que precauções climáticas se tornariam quase tão importantes quanto a estética.

Weinberg falou sobre essas alterações durante um tour que ofereceu uma prévia do edifício projetado por Renzo Piano, previsto para ficar pronto em 2015. Segundo o diretor, o novo Whitney será um templo da arte norte-americana e um modelo de proteção contra tempestades. “É a pior e a melhor coisa que já aconteceu conosco. Agora, construiremos um prédio no qual temos certeza de que as obras de arte nunca estarão em perigo”, afirmou.

Felizmente para o museu, a construção não estava muito avançada antes da tempestade de 2012, e todo o equipamento estava segurado. Além disso, o Whitney havia tomado algumas precauções porque sua localização, na esquina das ruas Washington e Gansevoort, ficava a apenas um quarteirão do rio.

Enquanto a maioria dos museus realiza suas atividades de tratamento e recuperação das obras de arte nos níveis subterrâneos, o Whitney decidiu que elas ficariam no quinto andar. “Nós sempre soubemos que era uma vulnerabilidade”, explica Weinberg.

Mesmo assim, o Sandy forçou ajustes significativos. De acordo com o diretor, a água subiu 30cm acima da planície de várzea do rio. Com isso, o museu foi atrás de consultoria nas maiores referências mundiais em termos de engenharia hidráulica, incluindo companhias de lugares abaixo do nível do mar, como Holanda e Veneza.

A escolha final acabou sendo a empresa alemã WTM, que se associou ao Franzius Institute da Hanover University, especializado em projetos antitempestade. “Eles fizeram uma análise das condições aquáticas, da possibilidade de ondas e sugeriram um plano para reforçarmos e modernizarmos o lobby e o porão, assegurando que pudéssemos resistir muito além do que o Sandy causou”, conta Weinberg.

Agora, o edifício terá um sistema de barreiras temporário – uma parede de alumínio com alicerces de aço, que pode ser montada rapidamente em torno do perímetro. O Whitney realizará treinos contra inundação com seus funcionários uma ou duas vezes ao ano. O vidro ao norte do prédio será impermeabilizado. E tanto a plataforma de carga quanto a entrada oeste terão portas estanques, projetadas pela Walz & Krenzer, que fabricou portas de alta pressão para a plataforma petrolífera Big Foot, da Chevron, e uma escotilha estanque para a guarda costeira canadense.

Para pagar por isso, o museu aumentou sua chamada de capital em US$ 40 milhões, elevando o custo total do projeto para US$ 760 milhões, incluindo doações e outras fontes. Segundo Weinberg, 77% do valor já foi levantado. Cerca de metade dos fundos restantes pagará pelos mecanismos de controle de inundações. A outra metade cobrirá custos eventuais.

Espaços. Weinberg forneceu esses detalhes enquanto caminhava pelas obras, tomando o elevador da construção para o último andar, que oferece uma vista da Estátua da Liberdade. Lá, ele parecia bem mais animado em falar dos aspectos artísticos do projeto sendo construído ao seu redor.

Entre eles, está uma galeria de exposição temporária no quinto andar. Ela pode vir a ser o maior espaço de exibição sem colunas em Nova York e tem janelas do chão ao teto nas extremidades leste e oeste. “É a primeira coisa que você vê quando desce a rua. Assim, não vai haver dúvida de que é um estabelecimento de arte”, afirma Weinberg.

Quatro terraços contarão com jardins e servirão como galerias externas, duplicando o espaço total de exposição do museu para 21 mil m². Piet Oudolf, paisagista do High Line Park (que fica próximo ao Whitney), foi contratado como consultor.

O andar térreo do museu será inteiramente aberto ao público, incluindo uma galeria gratuita, um café ao ar livre (que o arquiteto Renzo Piano chama de “a piazza”) e um restaurante Danny Mayer. “As pessoas podem ter um gostinho do museu antes de pagar o ingresso. É um espaço comunitário”, argumenta Weinberg.

01/07/2013

Com ajuda de programa de computador, esqueleto do Museu da História da Medicina tem a face reconstituída

Resultado da reconstrução será apresentada no 14º Fórum Internacional de Software Livre

Com ajuda de programa de computador, esqueleto do Museu da História da Medicina tem a face reconstituída  Reprodução/
A partir de análises computadorizadas, especialistas chegaram à imagem do condenado francêsFoto: Reprodução
Joaquim ganhou um rosto. E não está nem aí pra isso. Pudera! Já faz tanto tempo que perdeu os movimentos, a vida e até mesmo a própria história. O que sobrou foi uma ossada incompleta (lhe faltam os pés e a mandíbula) unida por peças de metal.
Mas, ainda assim, Joaquim, o esqueleto do Museu da História da Medicina (MUHM), teve sua feição reconstruída, pela importância que confere ao conhecimento do corpo humano e, claro, pela curiosidade que desperta.
— Como seria se vivo fosse? — perguntam-se médicos, historiadores e crianças ao encararem o esqueleto da exposição "Desafios: a medicina e a luta pela vida".
Para responder a indagação, Joaquim teve, primeiramente, de ser examinado por um dentista forense. Saiu da consulta com a primeira dúvida sanada: é um esqueleto de um homem com idade entre 30 e 50 anos.

Depois disso, veio a tomografia. Deitado em uma maca e coberto por um pano (não era intenção de ninguém, muito menos dele, provocar sustos pelos corredores), ele foi levado do museu até o laboratório, também no prédio da Beneficência Portuguesa, na Capital.
— Segure o ar e só solte quando eu mandar — ordenou à ossada a voz que saía do computador. Joaquim permaneceu imóvel.
— Ele se comportou de forma exemplar — brinca o diretor-técnico do hospital, o historiador Éverton Quevedo.
As centenas de imagens de Joaquim foram encaminhadas ao 3D artist Cícero Moraes, do Mato Grosso — referência em reconstrução facial forense no país que, com ajuda do software livre InVesalius, criou um modelo virtual e tridimensional correspondente à estrutura anatômica do esqueleto. Depois, restou esculpir e detalhar o rosto em outro software livre, o Blender.
Cientistas forenses, arqueólogos e historiadores pesquisaram como seriam os cabelos e o tom de pele do homem que Joaquim foi um dia. Uma missão difícil, pois o que se sabe é que o esqueleto, de um condenado francês, foi importado, em 1921, pelo médico Gabriel Schlatter, de Feliz. No entanto, apesar de complicada, a tarefa é também desafiadora.
— Quando a gente depara com a história de uma pessoa e tenta materializá-la por meio de um crânio, torna-se inevitável querer incutir dignidade àquele esqueleto. É como trazê-lo de volta à vida — explica Moraes.
Mas então, como Joaquim seria se fosse vivo? A resposta será revelada no 14º Fórum Internacional de Software Livre, de quarta a sábado, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). E quem quiser conhecer o Joaquim em osso e vídeo, também pode visitá-lo em sua própria casa, o museu, a partir de quarta-feira.
O que é um software livre?
— É um programa considerado livre por poder ser copiado, modificado e redistribuído conforme as necessidades de cada usuário.
— A reconstrução facial de Joaquim foi feita, principalmente, por meio de dois softwares livres:
InVesalius — A partir de imagens em duas dimensões (2D) obtidas através de equipamentos de tomografia computadorizada ou ressonância magnética, o programa permite criar modelos virtuais em três dimensões (3D) correspondentes às estruturas anatômicas de Joaquim.
Blender — Com base na estrutura montada pelo InVesalius, permite a modelagem mais detalhada da feição de Joaquim. O software permite esculpir contornos e inserir cabelos.
14º Fórum Internacional Software Livre
— Quando: de 3 a 6 de julho
— Onde: Centro de Eventos da PUC
— Inscrições: o sistema de inscrições online não está mais habilitado a efetuar inscrições. Agora só é possível inscrever-se no evento
— Custo: R$ 140 para estudantes e participantes de caravanas e R$ 280 para os demais
Museu da História da Medicina (Muhm)
— Exposição "Desafios: a medicina e a luta pela vida"
— Quando: de terças a sextas-feiras, das 11h às 19h. Sábados, domingos e feriados das 14h às 19h
— Onde: Avenida Independência, 270, na Capital

O PIOR MUSEU DE CERA DO MUNDO

O pior museu de cera do mundo

Um editor do site VICE recentemente visitou Los Angeles e aproveitou pra dar aquela passadinha noHollywood Wax Museum. A impressão que ele teve ao se deparar com as belíssimas esculturas de cera que homenageiam os astros do cinema foi um pouco… decepcionante.
Pra provar que o negócio tava feio mesmo, ele resolveu tirar foto dos monstros de cera e postou tudo na internet.
Veja todas as imagens acessando o post completo.

O pior museu de cera do mundo
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