16/07/2013

Sob nova direção


Nomeado novo presidente do Ibram, Angelo Oswaldo examina os seus desafios

Foi publicada ontem no Diário Oficial da União a nomeação do curador Angelo Oswaldo como o novo presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), órgão vinculado ao Ministério da Cultura. O Ibram é responsável por 30 museus federais, além de definir políticas de apoio à área em todo o País - o Brasil possui 3,3 mil museus. Ele já participou de sua primeira atividade como presidente do Ibram ontem mesmo, abrindo a exposição A Herança do Sagrado no Museu Nacional de Belas Artes, pertencente ao Ibram, ao lado da ministra Marta Suplicy.

Mineiro de Belo Horizonte, de 65 anos, Oswaldo é um dos maiores especialistas em museologia do País. Assume o Ibram, criado há quatro anos, com diversos propósitos, segundo disse ontem ao Estado. O primeiro, mais imediato, é instalar dois novos museus federais em Brasília: o Museu Nacional da República (que contará com os valiosos acervos das instituições governamentais) e o Museu Nacional Afro-Brasileiro.

"Com a vinda da capital para Brasília, os museus históricos acabaram ficando na antiga capital, o Rio. É fundamental que Brasília também tenha museus nacionais à altura de sua importância", afirmou Oswaldo, que desde abril já acompanhava a transição no instituto. O novo presidente do Ibram admite que o Museu Nacional da República, que contará com obras do Banco Central, da Caixa Econômica, das embaixadas, dos palácios e dos diversos gabinetes do governo, será uma "grande vitrine" da gestão.

"É um objeto de cobiça não só de curadores, mas de grandes museus internacionais, que querem fazer mostras aqui. Eu espero que seja representativo da arte brasileira, pelo acesso às grandes coleções estatais, que constituem hoje uma espécie de segredo de Estado."

Outra missão urgente é ajudar na preparação do congresso mundial do International Council of Museums (Icom), organização da Unesco criada em 1946 e que congrega 30 mil museus em 137 países. O Brasil é anfitrião do encontro, que trará 4 mil museólogos do mundo todo ao Rio de Janeiro na segunda semana de agosto, para debates sobre os caminhos da museologia. Há uma expectativa que, no Rio, a organização eleja o brasileiro Carlos Roberto Ferreira Brandão, do Museu de Zoologia da USP, como seu presidente.

O foco de sua atuação, diz Oswaldo, se concentrará na modernização e valorização dos museus, na busca de recursos (tanto para os museus públicos quanto os privados), além de valorizar a formação, o papel educativo e a "efervescência cultural" nas instituições.

Angelo Oswaldo foi secretário de Cultura (1977-83) e prefeito de Ouro Preto por três mandatos (1993-1996; 2005-2008; 2009-2012). Em Ouro Preto, conta que se esforçou para criar um sistema unificado de museus - a cidade possui 14 instituições museológicas, entre federais, estaduais, municipais e eclesiásticas. É uma estratégia importante, motivo pelo qual quer ampliar o número de museus cadastrados no Sistema Nacional de Museus (hoje são 1,5 mil na lista).

Segundo informou, a ministra Marta Suplicy diz que uma das demandas mais frequentes que vão ao seu gabinete trata da instalação de novos museus. "O museu é hoje um equipamento social indispensável em qualquer cidade", afirma, chamando atenção para a chamada museologia social. Para Oswaldo, o "aporte conceitual" da novidade museológica é objeto de curiosidade em todo o mundo. Citou o Museu da Maré, na Favela da Maré, no Rio, uma das instituições a que a delegação da Dinamarca no Icom já tem definida uma visita.

Além da gestão cultural em Ouro Preto, Angelo Oswaldo foi secretário de Cultura do Estado de Minas Gerais (1999- 2002), presidente do Fórum Nacional de Secretários de Cultura (2002) e ministro interino da Cultura do Brasil (1986 e 1987), na gestão de Celso Furtado. Foi ainda chefe de gabinete do Ministério da Cultura (1986-88), presidente do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC), entre 1985 e 1987, e integrou os conselhos do Iphan (1994-2002), Fundação de Arte de Ouro Preto (1971-1981) e Patrimônio Cultural de Belo Horizonte (1989-1992). Em 2009, tornou-se presidente da Associação Brasileira de Cidades Históricas. Membro fundador da Rede de Cidades Barrocas da América Latina, foi seu vice-presidente no biênio 2011-2012, em Puebla, México.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sob-nova-direcao-,1051902,0.htm

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