24/05/2013

Boreart: o museu em sua casa

Uma pergunta que bombardeia os profissionais de museus a muito tempo é qual motivo as pessoas não frequentam os museus? Ainda não sabemos exatamente a resposta, mas provavelmente é porque os museus não estão conseguindo criar um bom diálogo com a população. Uma boa maneira de solucionar este problema veio de jovens do Borel, que em parceria com o MAM vão expor obras do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro dentro das casas de moradores do Morro do Borel! Isso aí: OBRAS DE ARTE DO MAM EM CASA DE MORADORES DO BOREL!

O local do morro foi escolhido cuidadosamente: uma ladeira que vivia o estigma dos tempos do tráfico de drogas. Agora com a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), eles decidiram resignificar o local com grafiti, e obras de arte que os moradores provavelmente nunca teriam acesso sem o projeto.


A ideia de levar arte para o Borel foi de Fred Castilho, de 28 anos, que sempre morou por lá e quer estudar História da Arte. Ele se juntou a Marcio Correia, de 17 anos; Kauã Gonçalves, de 15; Leonardo Ferreira, de 15; e Leandro Araújo, de 17, para desenvolver o projeto, que começou com o desejo de expor grafites nos muros de uma rua estigmatizada pela violência do tráfico, antes da implantação da UPP (O globo, 24 de maio de 2013)
O projeto é fruto da metodologia da Agência de Redes para a Juventude que trabalha com jovens de comunidades pacificadas. Estes jovens com idade entre 15 a 29 anos passam um tempo sendo bombardeados com estímulos para aguçar ideias que por sua vez viram projetos. Estes projetos são preparados junto aos jovens para serem apresentados a uma banca. Passando, ganham 10 mil para a sua execução. O Boreart faz parte dos 42 projetos aprovados. Muitos deles já estão em ação a um ano, outros estão em fase de inauguração ainda neste mês de maio.

O projeto inaugura amanhã na entrada do Borel e você pode confirmar sua presença clicando aqui. Lá você poderá ver obras do grafiteiro Marcelo Eco Marchon (o ECO), e outros grafites sendo feitos na hora. Também conhecerá a obra "Chuva" do coletivo múltimídia "Chelpa de ferro" mais duas obras emprestadas pelo MAM.

Mas se você não puder ir na inauguração basta agendar visita através do telefone (21) 9654-1496 ou nessa página do facebook aqui.

Para saber mais:
Agência de Redes para a Juventude
Boreart: peças do museu vão onde o povo está
Boreart



20/05/2013

Quadro de Di Cavalcanti fica 7 horas em feira de arte popular sem ser reconhecido

Uma ação da agência de publicidade Africa levou um quadro do pintor brasileiro Di Cavalcanti a uma feira de arte popular em São Paulo, mas não foi reconhecido por ninguém nas sete horas em que ficou exposto ao público.

Parte da campanha de lançamento da coleção da Folha "Grandes Pintores Brasileiros", que começa no próximo domingo (19), a ação pretendia chamar a atenção, em tom bem humorado, para o desconhecimento de parte da população para a arte nacional.

A obra "Três Mulatas", de 1953, pertencente a uma coleção particular, foi cedida para a ação, que ocorreu na praça Benedito Calixto, uma das mais populares feiras de artes e antiguidades da capital paulista.

Um esquema especial de segurança foi montado para proteger a tela.

A ação foi filmada e se transformou em um filme de 30 segundos, que está sendo veiculado na televisão. A campanha também tem anúncios em mídia impressa, rádio e internet.

A série "Coleção Grandes Pintores Brasileiros" prevê o lançamento semanal de um livro sobre um artista brasileiro.

Dos 28 nomes selecionados, estão incluídos artistas como Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Candido Portinari, além de contemporâneos como Beatriz Milhazes e Adriana Varejão.


Escola de Museologia - 81 Anos



17/05/2013

Pirâmide maia de 2.300 anos é destruída por escavadeira


Templo maia em Belize | Foto: AP

Autoridades de Belize, na América Central, confirmaram nesta terça-feira que uma escavadeira destruiu uma das maiores pirâmides maias do país durante a construção de uma estrada.

O chefe do Instituto de Arqueologia de Belize, Jaime Awe, disse que o templo Noh Mul foi destruído quando operários de uma empreiteira buscavam cascalho para preencher buracos na estrada antes de ela ser pavimentada.

Construído na era pré-colombiana, o templo datava de 2.300 anos atrás e apenas uma pequena parte da pirâmide permaneceu de pé.

A polícia diz que está investigando o incidente, mas arqueólogos belizenhos dizem que esta não é a primeira ocorrência de um incidente desse tipo.

"A destruição de montes maias para preenchimento de estradas é um problema endêmico em Belize", diz o professor Normand Hammond.

Arqueólogos locais disseram que foram alertados sobre a destruição no fim da semana passada.

O complexo maia está localizado em terras particulares, mas de acordo com a legislação belizenha, quaisquer ruínas pré-hispânicas estão sob proteção do governo.

Segundo John Morris, do Instituto de Arqueologia de Belize, os operários sabiam o que estavam fazendo.

"É inacreditável que alguém de fato tenha tido o descaramento de destruir esta construção. Não há, absolutamente, nenhuma possibilidade de que eles não soubessem que aqueles eram montes maias".

Promotores locais consideram apresentar acusações criminais contra a empreiteira.

PORTA DOS FUNDOS - MICHELANGELO

07/05/2013

Agora o Centro Cultural Cartola é MUSEU DO SAMBA CARIOCA

foto:srzd

O patrimônio nasce de uma idéia de pátria, pai, herança. O patrimônio cultural pode ser preservado mediante um conjunto de ações que garantam a sua permanência com os seus diversos valores e significados artísticos. A nossa herança é aquilo que passa de geração para geração. Uma instituição que tem a finalidade de desenvolver conhecimentos, de salvaguardar a memória e de promover a educação e a cultura dos cidadãos, merece sempre ser reverenciada.

Com o apoio da Secretaria Estadual de Cultura e Localizado no bairro da Mangueira, o CENTRO CULTURAL CARTOLA agora conta com o Museu do Samba Carioca. O museu tem a intenção de promover a educação patrimonial através de seu acervo, mergulhando na história das escolas de samba do Rio de Janeiro. Ele apresenta, entre outras, fantasias que remetem às alas mais tradicionais dentro das escolas; a variedade das matrizes do Samba Carioca de acordo com os parâmetros do IPHAN - Partido-Alto, Samba de Terreiro e Samba-Enredo. Ainda, mostra os principais instrumentos que compõem a bateria de uma Escola de Samba, além de uma sala de vídeo onde é exibido o documentário das Matrizes do Samba Carioca, na ocasião de oficialização do samba como patrimônio imaterial.


foto:divulgaçãoSomos responsáveis pelo patrimônio cultural e devemos cuidar, preservando para as gerações futuras. Se cada um fizer sua parte, preservando e não agredindo o patrimônio cultural, estaremos preservando a nossa cultura, nossa memória.

PARABÉNS a toda direção do Centro Cultural Cartola em especial a Nilcemar Nogueira e toda sua equipe por mais essa excelente notícia!



http://www.sidneyrezende.com/noticia/205639+agora+o+centro+cultural+cartola+e+museu+do+samba+carioca

IPN - Museu Memorial

90 anos da Exposição do Centenário

Exposição traz revelações sobre o uso de cores de Van Gogh

NINA SIEGAL
DO "NEW YORK TIMES", EM AMSTERDÃ

Com sua cama cor de mel comprimida num canto de um quarto aconchegante de paredes azuis, a tela de 1888 "O Quarto em Arles", de Vincent van Gogh, é reconhecida de imediato por aficionados da arte, sendo marcada pelas tonalidades contrastantes que eram a marca registrada do artista. Mas será que nossa percepção do quadro muda quando ficamos sabendo que Van Gogh pintou as paredes originalmente de violeta, não de azul, ou que ele não foi tanto um pintor que lutava contra seus demônios interiores quanto um artista reflexivo, que traçava metas e buscava alcançá-las?

Essas dúvidas são levantadas por uma análise nova, que levou oito anos para ser feita, de centenas das telas de Van Gogh e de sua paleta, seus pigmentos, sua correspondência e seus cadernos. A análise foi feita por cientistas da empresa petrolífera Shell, em colaboração com a Agência Holandesa de Patrimônio Cultural e os curadores do recém-renovado Museu Van Gogh, de Amsterdã, que possui o maior acervo mundial de obras do pós-impressionista holandês.

De acordo com o diretor do Museu Van Gogh, Axel Rueger, a pesquisa não resultou em "novos insights espantosos" que levassem a história da vida de Van Gogh a ser reescrita, mas ela pode modificar a compreensão que se tem do temperamento e da personalidade do pintor. Os resultados do estudo serão revelados na exposição "Van Gogh at Work" (Van Gogh trabalhando), que será inaugurada na quarta-feira e incluirá 200 pinturas e desenhos. Cento e cinquenta das obras são de Van Gogh, e as restantes de artistas contemporâneos dele, incluindo Paul Gauguin e Emile Bernard.


Quadro "The Bedroom", de Van Gogh
Quadro "The Bedroom", de Van Gogh


"Descobrimos de modo mais claro que Van Gogh foi um artista muito metódico, algo que contraria o mito generalizado de que ele teria sido um homem maníaco, talvez levemente demente, que simplesmente jogava tinta sobre a tela de maneira espontânea", comentou Rueger. "Na realidade, ele conhecia muito bem as propriedades dos materiais que utilizava, sabia como usá-los e criava composições muito pensadas. Nesse sentido, o estudo traz insights importantes que nos abrem uma visão melhor de Van Gogh. Ele foi um artista muito voltado à realização de metas."

Usando microscópio de elétrons e a técnica da espectrometria de fluorescência de raios-x, que revela os componentes de pigmentos sem tirar amostras invasivas, os pesquisadores descobriram que, desde muito cedo em sua vida artística, Van Gogh usou molduras de perspectiva para se orientar e desenhou sobre a tela para obter a representação correta de proporções e da profundidade de campo em suas paisagens. Mais tarde, à medida que foi ganhando habilidade, ele abriu mão desses recursos. Como muitos artistas, Van Gogh retrabalhou determinadas telas muitas vezes, para aperfeiçoar o efeito que desejava.

Para Nienke Bakker, curadora da exposição, o insight mais importante proporcionado pelo estudo é sobre a paleta de Van Gogh.

"Hoje sabemos muito mais sobre os pigmentos usados por Van Gogh e como podem ter mudado de cor com o passar do tempo", comentou a curadora. "Isso é crucial para nosso entendimento das obras dele e para definirmos o melhor tratamento a dar às obras. As cores ainda são muito vibrantes, mas devem ter sido muito mais fortes ainda [quando ele as pintou], especialmente os vermelhos. Alguns dos vermelhos eram muito mais fortes ou desapareceram por completo desde que Van Gogh os pintou."

Ralph Haswell, cientista principal da Shell Global Solutions (que colocou seus laboratórios e pesquisadores à disposição do museu), disse que na virada do século 20, artistas estavam apenas começando a comprar pigmentos prontos, em vez de misturá-los eles mesmos em seus ateliês. "Uma das desvantagens de viverem num ambiente em transformação, onde os pigmentos ainda eram muito novos, era que as pessoas nem sempre sabiam o que aconteceria com os pigmentos", ele comentou. "A indústria química estava crescendo tremendamente na época e lançando cores de todos os tipos, mas ninguém sabia por quanto tempo essas cores se conservariam estáveis." Foi o caso do violeta usado por Van Gogh para pintar as paredes de seu quarto em Arles. Como o vermelho da tinta violeta se desvaneceu em pouco tempo, provavelmente enquanto Van Gogh ainda estava vivo, o que restou foi apenas o azul com que o vermelho deve ter sido misturado.


Tela "Noite Estrelada", obra do pintor holandês Vincent Van Gogh
Tela "Noite Estrelada", obra do pintor holandês Vincent Van Gogh

Para Bakker, é possível que Van Gogh não tenha se importado com isso, já que o pintor em grande medida autodidata não enxergava nenhum de seus trabalhos como uma obra acabada. Ele via cada trabalho como um estudo que o ajudava a definir seu estilo.

"Ele queria expressar sua maneira individual de enxergar o mundo, e cada obra de arte que criava o levava para mais perto dessa meta", explicou a curadora. "Mas ele nunca estava satisfeito."

O tom original das paredes do quarto produz uma imagem mais calma, disse Marije Vellekoop, diretora de coleções, pesquisas e apresentações do Museu Van Gogh. O roxo e o amarelo "não eram vistos como cores que formam um contraste forte, como as pensamos hoje", ela explicou. "Havia algo que Van Gogh queria exprimir naquele quadro: tranquilidade e um ambiente de descanso."

Vellekoop disse que a teoria das cores vê o roxo e o amarelo como contrastes complementares. "Teoricamente, essas cores se reforçam. Para mim, as paredes roxas do quarto suavizam a imagem. Isso confirma que Van Gogh se pautou pela teoria tradicional das cores, usando roxo e amarelo, e não azul e amarelo."

O desaparecimento dos tons de vermelho teve consequências diferentes em outras telas. Por exemplo, em imagens de árvores frutíferas em flor, algumas flores hoje brancas foram originalmente cor-de-rosa, mas o vermelho desapareceu. Para Vellekoop, esse fato pode levar a mudanças na identificação das espécies de árvores retratadas pelo artista.

De certa maneira, o uso de cores complementares enquadra Van Gogh nas tradições de seu tempo. Embora ele fosse radical no uso que fazia de cores fortes, disse a curadora, "ele seguia a teoria tradicional das cores, que já estava escrita na primeira metade do século 19". Ainda segundo Vellekoop, "muitos dos artistas amigos de Van Gogh liam aqueles livros" mas não fizeram uso tão ousado dos pigmentos. Van Gogh fez experimentos com técnicas de aplicação de cores diferentes das técnicas empregadas por seus contemporâneos, incluindo Henri de Toulouse-Lautrec, que diluía suas tintas e usava cores planas.


Clássico autorretrado do pintor holandês, que morreu na França em 1890
Clássico autorretrado do pintor holandês, que morreu na França em 1890

Por um período breve, Van Gogh seguiu o exemplo dos pontilhistas, cujas imagens eram feitas de muitos pequenos pontos ou manchas de cor. As cores altamente contrastantes das telas posteriores de Van Gogh são associadas ao momento em que ela alcançou a maioridade como artista, desenvolvendo seu estilo próprio, nos últimos dois anos de sua vida.

O fato de que ele pode ter empregado uma paleta ainda mais forte, com mais vermelhos e roxos, indica que sua obra pode ter se aproximado mais da de seu amigo Paul Gauguin. Nesse sentido, suas escolhas em termos de cores podem ter sido mais seguras e menos iconoclásticas do que imaginamos.

Mas, disse a curadora, os novos insights sobre as cores de Van Gogh não necessariamente mudam nossa visão da psicologia do artista. "Acho que isso não revela nada de novo sobre seu estado de espírito. Em Arles, Van Gogh usou muitas cores. Estava muito otimista em relação à vida, a seu futuro e a suas possibilidades de vender seus trabalhos."

Ele também estava ansioso pela chegada de Gauguin a Arles, disse a curadora, mas tinha uma atitude quase maníaca em relação a isso. "Quando a cooperação com Gauguin fracassou e Van Gogh foi para o asilo, nós o vemos mais sombrio e deprimido. Suas cores mudam e ele mergulha mais nos tons ocres, tonalidades diferentes de verdes e marrons. Uma paleta mais reprimida. Sim, associamos as cores a seu estado de espírito, mas isso não quer dizer que quanto mais azul havia em suas telas, mais ele estivesse deprimido."

A partir de setembro, duas das versões criadas por Van Gogh de "O Quarto em Arles" serão mostradas lado a lado na exposição, uma delas a versão que está no Museu Van Gogh e outra cedida pelo Instituto de Arte de Chicago. Van Gogh pintou três versões da tela em 1888, e hoje as três mostram as paredes de um azul claro. Cientistas e conservadores criaram uma reconstrução digital de como a tela pode ter sido quando Van Gogh primeiro a pintou, com as paredes violetas, e a reconstrução também estará na mostra. "É diferente e um pouco estranho", comentou Bakker.


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