16/02/2011

MNBA reabre galeria

Publicado em 16/02/2011 às 08:32 Atualizado em 16/02/2011 às 16:16
Grande destaque do MNBA, a mais importante coleção de arte do século XIX do país volta a ser exposta
Suzana Velasco Tamanho do texto A A A

Nos últimos três anos, a identidade do Museu Nacional de Belas Artes ficou abalada. Apesar do acervo de arte moderna e contemporânea, o grande destaque do MNBA é coleção do século XIX, a mais importante do país, que atrai visitantes em busca de obras famosas, como “A primeira missa” (1860) e “Batalha dos Guararapes” (1879), de Vitor Meireles, e “Batalha do Avaí” (1872-77), de Pedro Américo. Desde dezembro de 2007, porém, essas obras eram restauradas longe do público, enquanto o museu passava por reformas estruturais. Mas o edifício da Avenida Rio Branco vai recuperar sua identidade amanhã, quando a Galeria Nacional do Século XIX for reinaugurada, às 18h, com a presença da ministra da Cultura, Ana de Hollanda.

Veja algumas obras em exposição

São os mesmos dois mil metros quadrados e oito metros de pé direito, mas a galeria já não é a mesma. Responsável pela curadoria, Pedro Xexéo esmiuçou as mais de quatro mil obras do acervo do século XIX para dar destaque a artistas antes relegados a um segundo plano, que, por anos tachados de acadêmicos, têm sido reconhecidos como grandes nomes pela historiografia recente. Entre as 220 peças — cem a mais do que era exposto anteriormente —, o curador manteve as obras já clássicas do museu, as mais procuradas, e acrescentou mais criações de artistas como Rodolfo Amoedo, Belmiro de Almeida, Eliseu Visconti, José Ferraz de Almeida Júnior e Rodolfo Bernardelli — que, para ele, estão entre os maiores nomes da arte brasileira de todos os tempos:
— Esse grupo é tão bom quanto os aclamados artistas modernos brasileiros, como Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral. Não só por uma questão técnica, mas pela criatividade também. São obras teatrais, narrativas, e daí? A classificação de acadêmicos era pejorativa, mas isso está sendo revisto, e esses artistas foram revalorizados.
Segundo o curador, a visão de uma arte sempre “atrasada” em relação à Europa, que repetia aqui movimentos que eram lançados no exterior, também contribuiu para que se criasse um estigma em relação à produção do século XIX, com a qual o modernismo quis romper em nome de uma arte brasileira:
— O neoclassicismo, no começo do século XIX, foi um dos raros movimentos contemporâneos ao que era feito na Europa. A partir de então, houve uma distância cada vez maior. O indianismo, que é um derivado do movimento romântico, só apareceu no fim do século XIX, enquanto na Europa o romantismo ocorreu por volta de 1830.
Antes de entrar no século XIX, a galeria dá uma amostra da arte brasileira no século XVIII, com telas da escola fluminense de pintura e mobiliário de igrejas e casas. Em seguida, há obras de pintores como Nicolas Antoine Taunay e Jean Baptiste Debret, da Missão Artística Francesa, e escultores como Marc Ferrez e seu irmão, Zépherin Ferrez (avô do outro Marc, o fotógrafo, que também saiu da França para retratar o Brasil). Professores no Rio, eles deram origem à primeira geração de “acadêmicos” do país.
— No começo do século, a produção era mais restrita porque o grande mecenas era o Estado. Com a formação de uma burguesia, na segunda metade, os gêneros foram se enriquecendo — explica Xexéo, que privilegiou o percurso cronológico, didático, mas também agrupou gêneros de obras que antes eram expostas de forma esparsa. — Estão representados o neoclassicismo, o romantismo, o realismo, a pintura temporã impressionista, o segmento simbolista. Mas também criei núcleos com a paisagem de ateliê, a pintura de gênero, o retrato, o nu.
A nova seleção reúne obras nunca antes expostas pelo museu, como o busto de Marc Ferrez em gesso, esculpido por um de seus alunos, Honorato Manoel de Lima, e adquirido em 2009; “São Pedro de Alcântara”, pintura de autor anônimo, provavelmente vinda de uma igreja em Pernambuco, e que passou por uma delicada restauração, com a retirada do suporte apodrecido em madeira e sua substituição por uma tela; uma caricatura de Rodolfo Bernardelli feita em terracota por Joaquim José da França Júnior; um retrato de Rodolfo Amoedo pintado por Décio Vilares em 1882; e um autorretrato de Belmiro de Almeida, de 1883. Há ainda peças que há muito não eram vistas, como “Remorso de Judas” (1880), de Almeida Júnior; e a escultura original em gesso de Francisco Manuel Chaves Pinheiro (1860) retratando João Caetano, e cuja versão em bronze está na frente do teatro que homenageia o ator e encenador.
Entre os destaques na pintura estão “Efeitos de sol” (1892), primeira tela impressionista do Brasil, de Belmiro de Almeida; pinturas indianistas como “O último tamoio” (1883), de Amoedo, também um exímio pintor de retratos; e “O derrubador brasileiro” (1879), um retrato do homem caipira por Almeida Júnior. Há um espaço dedicado às esculturas de Rodolfo Bernardelli, com estudos para obras públicas. E, por fim, uma sala para obras em papel, que serão renovadas a cada seis meses, começando com aquarelas e pastéis de Amoedo e Henrique Bernardelli.
— É a coleção com a maior representatividade da arte no século XIX, com todos os grandes artistas brasileiros da época. E a nova seleção quer reafirmar essa importância.

http://extra.globo.com/tv-e-lazer/grande-destaque-do-mnba-mais-importante-colecao-de-arte-do-seculo-xix-do-pais-volta-ser-exposta-1080580.html

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