11/05/2011

O Museologando Avalia


É sabido - pelo menos entre museólogos - da richa RIO-SP, não apenas na área, mas no meio expositivo/artístico desde nossos queridos cariocas neo-concretos e os metódicos concretos paulistanos. O meio expositivo tem tido uma expressão mais forte na região da cidade de São Paulo ($$$) até então, entretanto pode-se perceber as transformações que têm se dado no Rio, tanto pela quantidade e qualidade das exposições quanto pelo aumento do público nas mesmas. Visando o interesse cultural carioca que vem crescendo atualmente, o Museologando toma a liberdade e a ousadia de avaliar as exposições que estão rodando na cidade queridinha do Brasil. Confira o que está acontecendo e se programe para o que está por vir. Nos vemos nas salas de exposições.

Exposição Fernando Pessoa: Plural como o universo
Centro Cultural dos Correios do Rio de Janeiro
Até 22/05/2011
terça a domingo, das 12h às 19h (entrada franca)
Rua Visconde de Itaboraí, 20 - Centro

A exposição "Fernando Pessoa: Plural como o universo" está dividida em 5 núcleos, com um circuito aberto, tão livre quanto era o próprio poeta, com iluminação pontual, diversas instalações e cenografias, além de grande quantidade de recurso multimídia, interatividade e acervo em papel.

No primeiro núcleo, encontramos 6 cabines, espalhados pela sala, nas quais cada uma representa uma faceta do poeta. Cada cabine possui uma sonorização própria, um datashow e sensores que possibilitam que o visitante interaja com os poemas reproduzidos de cada personalidade criada pelo poeta. A sala conta ainda com uma cenografia remetendo a mesa de trabalho de Pessoa. Os móveis planando no ar e a iluminação bem trabalhada impressionam ao primeiro olhar.

À esquerda da exposição, em outro núcleo, podemos acompanhar através de uma cronologia em painéis suspensos a vida de F. P. indivíduo, não mais o artista. Na parede em frente, são trabalhadas fotos diversas de artistas e intelectuais participantes do movimento modernista português. Ao fundo, sem muito destaque, uma pequena vitrine com a "maquete do projeto cenográfico para O marinheiro, 'drama estático' de F. P.” Já do lado direito da exposição há duas entradas para o núcleo seguinte. Não faz diferença em qual se vai entrar primeiro, pois não atrapalhará a compreensão da exposição. Nesta sala há grande quantidade de acervo dentro de vitrines, vitrines estas que destoam do espaço como um todo. Em seguida o visitante se depara com uma instalação quadrada com tecido por todos os lados, dando a sensação de marca d’água, e no centro um pêndulo. Nos lados há uma legenda singela, e pouco visível, que não explica o porquê daquela imagem, nem mesmo o motivo de o pêndulo estar lá. Em cada extremidade da instalação há um caixa de areia com uma projeção de poemas que o visitante interage ao passar a mão embaixo, o que não funciona muito bem dependendo da posição em que o visitante se encontra. Ao fundo, em cada lado da parede, dois vídeos trabalham os poemas de F.P.

A sala seguinte foi feito um labirinto, no qual o visitante caminha por diversos poemas expostos de forma criativa e muitas vezes inusitadas – como pelo reflexo de um espelho, em placas de madeira penduradas e em marca d’água. Recursos de áudio e de vídeo são trabalhados simultaneamente o que confundi um pouco o visitante. A luz pode não agradar as vistas mais sensíveis, a sala escura em contraste com recordes luminosos e uma forte iluminação pontual acabam por cansar a visão de alguns visitantes.

A “última” sala é a “Sala de Leitura”. Em uma grande mesa foram distribuídas várias obras e livros referentes a Fernando Pessoa, que estão disponíveis à curiosidade do público, podendo assim ser manuseados. Em cada ponta há um livro virtual, no qual é só passar a mão por baixo para passar as folhas.

A combinação entre o espetáculo e a obra de Fernando Pessoa se transforma em grande atrativo de público. Porém pequenos detalhes não passam despercebidos, legendas mal trabalhadas, acabamentos gráficos não tão bons, a altura das vitrines e slide no plano horizontal que não favorece crianças e deficientes físicos, a falta de sinalizações explicativas sobre as obras interativas, projeções trêmulas, devido a estrutura de madeira do Centro Cultural dos Coreios, ou mesmo fora de foco e ideias mal adaptadas ao espaço ou até mesmo mal trabalhadas acabam por enfraquecer a exposição. Para os fãs de Fernando Pessoa a exposição deixa um pouco a desejar, mas sem dúvida é uma surpresa para aqueles que chegam achando que talvez seja uma exposição maçante em si só, por causa das possibilidades e formas de se abordar o tema. Deixa um sabor de Museu da Língua Portuguesa para nós cariocas.

Wendy Girondi e Newton Fabiano.

2 comentários:

  1. PENSEI Q FOSSE UM PROBLEMA EXCLUSIVAMENTE MEU, Ñ TER SACADO COMO INTERAGIR COM O PÊNDULO. COMPLEXO DE JURÁSSICA É FOGO!

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  2. o problema nunca é do visitante

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