05/10/2011

Cidade de Montevidéu expande museus e enriquece seu acervo artístico

MICHAEL T. LUONGO
The New York Times Syndicate


Em 1811, o Uruguai iniciou um longo processo para a conquista de sua independência. Neste ano do bicentenário, Montevidéu, a capital, está abrindo novos museus e expandindo os mais velhos enquanto o país reexamina sua arte e história.

A adição mais chamativa é o Espacio de Arte Contemporáneo (Arenal Grande www.eac.gub.uy), aberto em julho de 2010 dentro de um presídio abandonado de 1888, ocupando toda uma quadra da cidade entre os bairros de Cordón e Aguada, uma área com ar pós-industrial e casas modestas de classe operária.

O planejamento do Ministério da Educação e Cultura teve início em 2008, com as obras iniciadas em 2009, com a ajuda de aproximadamente US$ 970 mil da Agencia de Cooperación Internacional da Espanha. Segundo Fernando Sicco, o diretor do museu, “era muito pouco tempo e muito pouco dinheiro”.

  • Horacio Paone/The New York Times
    Antigo presídio da cidade de Montevidéu, no Uruguai, abriga hoje museu de arte moderna
    Sicco disse que a prefeitura espera que o museu, que futuramente terá um cinema, um restaurante e espaços para artistas residentes, ajude no desenvolvimento da área. “Terá um maior impacto social com a promoção do desenvolvimento do bairro”, disse ele.
Quanta à localização do presídio, disse Sicco, “nós queríamos mudar o significado de algo, tratando da liberdade de criar e fazer com que isso ocorresse em uma cadeia”. As celas permitem aos visitantes ver arte moderna e instalações do Uruguai e da América Latina em isolamento, mas o ambiente da prisão não é para todos. “Pessoas com claustrofobia não se sentirão bem aqui”, disse Sicco.

Mas, ele acrescentou, “no Uruguai, não há muitos locais históricos restantes para restaurar”. Em uma ala de três andares, uma parede de vidro oferece uma vista de uma parte não restaurada da prisão, onde espaços há muito negligenciados ainda exibem pilhas de escombros e paredes descascadas.

Cidade artística

Na Ciudad Vieja (Cidade Velha), perto do porto de Montevidéu, o Museo Figari (Juan Carlos Gómez) abriu em fevereiro de 2010 para receber a arte de Pedro Figari (1861-1938), um pintor modernista popular uruguaio que produziu mais de quatro mil pinturas e outras obras de arte (o Premio Figari de arte, financiado pelo Banco Central do Uruguai, presta homenagem a ele).


Figari, um advogado e político, “se tornou famoso apenas no terço final de sua vida”, disse o diretor de comunicação do museu, Juan Carlos Ivanovich. Muitas de suas pinturas foram feitas em papelão, difíceis de restaurar e exibir.


Figari, cuja arte reflete seu trabalho legal com os pobres do Uruguai, mostra frequentemente afro-uruguaios e a escravidão, gaúchos, índios e os primórdios da independência uruguaia. Apontando para “Bailando”, uma pintura de afro-uruguaios dançando, Ivanovich disse que Figari “gostava de mostrar as danças, festas, rituais, os poucos momentos em que eles ficavam felizes. Era algo que a maioria das pessoas nunca via em Montevidéu”.


Ele também fazia o contraste entre os pobres e a classe rica. “Os retratos dos negros têm movimento”, disse Ivanovich. “Os dos brancos mostram uma rigidez. Tudo é formal.”


O edifício de 1914 que abriga o Museo Figari tem apenas um andar aberto para exposições, enquanto os dois andares superiores ainda estão sendo restaurados.


O Museo del Carnaval (Rambla 25 de Agosto de 1825;museodelcarnaval.org), por sua vez, foi ampliado em 2010, com a adição de uma galeria principal maior, com mais mostruários abrangentes explicando a história do festival em Montevidéu e em outras partes do Uruguai.


Já o Museo Naval (Rambla Presidente Charles de Gaulle com Luis A. De Herrera), no bairro de Pocitos, com vista para o Rio da Prata, reordenou e expandiu seu acervo em 2009 e 2010, criando novos espaços de exposição temporários, disse o capitão Héctor Yori, o diretor do museu. Ele acrescentou que o Museo Naval faz os visitantes lembrarem que “o mar foi a origem de Montevidéu”.


Tradução: George El Khouri Andolfato


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