29/11/2011

A nova obra de Oscar Niemeyer cabe no Aterro?


Encomendado a Oscar Niemeyer e orçado em mais de R$ 200 milhões, o projeto de uma casa de shows em pleno Aterro do Flamengo corre o risco de nunca sair do papel. Em entrevista ao jornal O Globo, o superintendente no Rio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Carlos Fernando Andrade, afirmou que o projeto era “impossível de ser aprovado” já que, no decreto que tombou a área, em 1965, não há “qualquer teatro previsto” entre os os equipamentos que o parque pode conter.

Encomendado ao arquiteto pelo Brazil Foodservice Group (BFG), grupo que administra a rede de churrascarias Porcão, o projeto, que ainda não tem nome, contaria com uma plateia de 2 mil lugares, balcões e camarotes com 500. A construção só poderia ser aprovada se o Iphan abrisse uma exceção, o que poderia gerar um precedente perigoso de obras não previstas no decreto original.

“Na época em que foi concebido, a ideia era de que se devia fazer áreas de lazer para o parque, como restaurantes e quadras de futebol”, explica o ambientalista Luiz Prado. “Mas colocar um empreendimento totalmente privado é algo que precisa ser discutido com profundidade com a população. Quem vai decidir isso? O Porcão? O Iphan? Na minha opinião, deveria haver um referendo. A população é que precisa decidir. É algo que está previsto na constituição e que só não usamos por preguiça”.

Prado acredita que a questão não é ambiental.

“Não tem nada a ver com meio-ambiente”, afirma. “Isso vai afetar o trânsito, talvez a vista. Não interessa se quem está fazendo é o Niemeyer. O que está em jogo aqui não é a arquitetura, mas a utilização do espaço público. E a utilização do espaço público no Rio virou uma bagunça danada”.

Por sua vez, o presidente da Associação de Produtores de Teatro do Rio de Janeiro, Eduardo Barata, lamenta uma possível barragem do projeto, que define como “firula burocrática”.

“Temos uma séria falta de espaços para se apresentar no Rio”, justifica. “Os editais nos permitiram aprimorar nossas espetáculos. Hoje temos mais peças, mas menos espaços para apresentá-las”.

Barata cita o fechamento de espaços tradicionais, como o Glória e a Galeria do Flamengo, além da suspensão temporária do Villa-Lobos (em função de um incêndio), para lembrar a importância de um novo projeto no Parque do Flamengo.

“Sendo uma obra do Niemeyer num espaço privilegiado, e ainda por cima carente de teatros, seria um impulso importante para o teatro no Rio”.

Ex-Secretário de Urbanismo do Rio de Janeiro, o arquiteto Flávio Ferreira também acredita que só a sociedade civil e a opinião pública deveriam decidir o futuro do projeto.

“Para o Iphan aprovar, teria que justificar uma exceção”, explica. “Esta exceção parte da reação da sociedade. Se a sociedade achar que será bom para cidade, teria uma justificativa. Eu, pessoalmente, acho o projeto muito grande. Não cabe naquele espaço”.

O deputado federal do PV, Alfredo Sirkis, concorda com a decisão do Iphan. “Aquela área é sensível, complicado em termos de acessibilidade e uma obra desse tamanho implicaria um impacto paisagístico. Já há uma casa de shows, que é o Vivo Rio, feito de acordo com o projeto original. O mais correto seria fazer a obra em outro local, não no parque”.

Fonte:http://opiniaoenoticia.com.br/brasil/politica/a-nova-obra-de-niemeyer-cabe-no-aterro/?ga=dtf

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