16/04/2014

Funk abre exposição e divide opinião de fãs do Museu de Arte do Rio

Curador fala de Tequileiras do Funk: 'Incentiva mulher a ser dona do corpo'.
Internautas discutem escolha; dançarina diz que 'surra de bunda' é arte.

 
Débora Fantine, líder das Tequileras do Funk (Foto:
Divulgação / Site do grupo)

O show do grupo paulista Tequileiras do Funk marcado para esta terça-feira (15), em evento de abertura de uma exposição do Museu de Arte do Rio (MAR), provocou discussão entre fãs na página da entidade no Facebook. A apresentação das Tequileiras, conhecidas pela dança "surra de bunda", vai acontecer no Cabaret Kalesa, no centro do Rio, na festa de inauguração da exposição "Josephine Baker e Le Corbusier no Rio – Um Caso Transatlântico".

A exposição do MAR é baseada no encontro no Rio, em 1929, do arquiteto suíço Le Corbusier com a dançarina, cantora e atriz norte-americana Josephine Baker. "Em sua época, Josephine subverteu questões ao lidar com o jeito que percebemos gêneros, orientação sexual, classe e especificamente raça. O convite às Tequileiras para o evento de abertura ocorreu porque, no contexto brasileiro atual, vemos um espírito similar na manifestação delas", explica ao G1 um dos curadores, o colombiano Carlos Maria Romero.

O anúncio do evento na página para fãs do MAR no Facebook deu início a comentários negativos na rede social. "Caso eu quisesse ver algo desse tipo, iria a um baile funk", argumentou uma das participantes da página. "Empoderamento? Fala sério, exploração sexual da figura feminina. Cada dia mais vulgarizada", diz outro comentário. Após as críticas, outros participantes defenderam o evento. "Chocante é a visão estreita de cultura desses 'envergonhados'. Lamentável! Viva as tequileiras! Todo apoio a essa linda e democrática iniciativa do MAR", diz um dos defensores (leia o debate).

Tequileiras do Funk no museu: 'Poder feminino' (Foto:
Divulgação / Thales Leite / MAR)
Tequileira estreia para museu
A experiência é inédita para as funkeiras. "É a primeira vez que a gente está fazendo uma apresentação para um museu de arte. O pessoal aqui é dez", elogia a animada Débora Fantine, uma das Tequileiras do Funk. Ela tem 27 anos e mora em São José dos Campos (SP).
Perguntada se ela considera que a "surra de bunda" também é arte, Débora não hesita: "Lógico que é!", diz. Ela concorda com a opinião do curador, que compara o seu trabalho à postura pioneira de Josephine. "As mulheres têm que ser livres. Um homem vai na balada e 'cata' 10 mulheres, e a mulher que faz o mesmo é uma biscate. Tem que ter direitos iguais para todo mundo", diz.
'Empoderamento feminino'
O perfil oficial do Museu no Facebook entrou na discussão e publicou: "A exposição 'Josephine Baker e Le Corbusier no Rio" discute questões de gênero, raça e formalidade nas artes. Hoje, dia de abertura, sairemos do nosso espaço expositivo e vamos ao Cabaret Kalesa para colocar em pauta as relações com o gênero e o comportamento feminino. A música do grupo discute o empoderamento feminino, ao performar uma inversão das relações de dominação entre homens e mulheres. É um momento em que o Brasil discute intensamente o assunto".
Josephine e Le Corbusier são descritos como personalidades de vanguarda no texto oficial da exposição do MAR. "Foi a primeira estrela negra da dança mundial, e subverteu os padrões de seu tempo com o corpo nu e coreografias de movimentos selvagens e anárquicos". "Ela também foi controversa", diz Romero, ao compará-la com as Tequileiras do Funk. Ele elogia a postura feminista do grupo brasileiro e a discussão que ele provoca sobre "mulheres serem donas de seus próprios corpos".

Matéria sobre a 'surra de bunda' no Gawker (Foto:
Reprodução/Gawker)

'Marretar o bumbum'
Em 2010, a "surra de bunda" também foi alvo de discussão no site norte-americano Gawker. "O Brasil, lar dos traseiros mais célebres do mundo, inventou uma nova dança. É a chamada 'Surra de bunda', em que uma mulher apoia seus pés sobre os ombros de um homem para, em seguida, marretar o bumbum em seu rosto", descreveu Maureen O'Connor, no Gawker.
A dança foi popularizada no Brasil pelas Tequileiras do Funk Beatriz Fantine, Claudinha Vulcão e Débora Sabatine. Vestidas com roupas sensuais, elas costumam convidar pessoas da plateia para participar da coreografia em cima do palco, ou mesmo em um balcão de bar.

Tequileiras do Funk com curadores da exposição do Museu de Arte do Rio, Inti Guerrero e Carlos Maria Romero (Foto: Divulgação / Thales Leite / MAR)

 http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2014/04/surra-de-bunda-abre-exposicao-de-arte-e-divide-opinioes-de-fas-de-museu.html

 

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