06/07/2010

Abaixo assinado pela permanência do canhão El Cristiano no Brasil

O canhão EL CRISTIANO -

Em matéria publicada a um tempo atrás pelo Fabiano, já havia sido exposto a questão do canhão El Cristiano e da problemática que o artefato bélico conquistado pelo Brasil como expólio de guerra traz na relação entre os dois países. Como o canhão é de demasiada importância para ambas nações por ser um valioso objeto carregado de memória de ambos os lados (para o Brasil é uma lembrança da ferramenta que matou brasileiros, para o Paraguai, o último esforço de se vencer o conflito) a questão suscinta diversar opiniões.

Lembro-me de quando estagiava no Museu Histórico Nacional, local onde está localizado o canhão, muitas vezes era mencionado que o museu já entregou diversos artefatos conseguids durante a guerra, dentre eles, muitos objetos oriundos de soldados mortos em combate. Nesta situação em específico, o museu decidiu devolver os objetos por entender que estes objetos foram fruto de ""saque"" (uma palavra bastante pesada por isso tantas aspas).

Mas no dia 23 março 2010 Ministério da Cultura do Brasil informa ao governo paraguaio que o Presidente Lula já ordenou a devolução do canhão, o que mobilizou um pessoal que está desde o dia 22 abril lançando a campanha O CANHÃO É NOSSO. No site você pode compreender melhor a guerra e os motivos pelos quais muitos brasileiros fazem questão do canhão, além de poder assinar um abaixo assinado. Mais interessante ainda é saber quem está promovendo a campanha: O CÍRCULO MONÁRQUICO DO RIO DE JANEIRO. Não é de se espantar, uma vez que este foi o conflito de maior importância em termos internacionais que a monarquia brasileira enfrentou, deixando marcas no Brasil recente, uma vez que segundo alguns historiadores, os militares após a guerra conseguiram influência dentro do governo que inspirou o fim da monarquia.

Eu sou um orgulhoso assumido e não devolveria nada, mas sabemos que a questão envolve mais do que orgulho e também acordos. Por exemplo, o acordo cultural entre as duas nações, já publicado no museologando, onde a cultura é posta em primeiro lugar na relação entre os países. O próprio MHN já participou de um programa onde estagiários paraguaios passavam um período de experiência no museu adquirindo conhecimento para levar ao seu país.

Enfim, esse canhão tem muito tempo que não fere ninguém, não é agora que o governo vai deixar ferir a relação entre as duas nações.

6 comentários:

  1. Tentei postar no meu facebook mas ñ deu certo.

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  2. Esse negócio tá enrolado já! Hahaha

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  3. Agora foi, confiram lá no meu face.

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  4. É impressionante como há no campo museal brasileiro, diante de uma vasta gama de "caminhos vocacionais" possíveis, a permanência enfadonha dessa tendência conservadora "tradicionalista". A "conservação" e o zelo pelo direito à tradição, à história e à memória são, sem dúvida, elementos fundamentais do escopo de ação do campo museal. Mas "conservação" não é sinônimo de "conservadorismo", "tradição" não é sinônimo de "tradicionalismo". Só há respeito à história e à memória onde é possível revisitá-las sempre, ressignificá-las, renová-las. E questionar a legitimidade histórica à posse de "espólios" de uma guerra cruel e injusta contra um vizinho que é hoje não apenas aliado político e econômico, mas um país que após mais de um século ainda busca a reconstrução de sua história após sua devastação pelos "aliados", não é ferir o orgulho de nossa história. É justamente uma escolha pelo resgate de um orgulho histórico que não precisa se construir, no caso das "tradições" brasileiras, por um passado belicoso. A memória da guerra do Paraguai é fundamental, como exemplo de um caminho histórico fracassado. Mas ela não depende da manutenção de um "espólio" material que no caso de uma guerra como essa é - necessariamente - SAQUE. Com todo o peso que essa palavra DEVE carregar. Que este canhão tenha um peso simbólico tão importante para uma instituição como o Círculo Monárquico evidencia que tipo de símbolo está aí em jogo: um símbolo da "vitória" militar de um império escravista, e não da memória de escravos e soldados que foram mandados à morte na guerra do Paraguai. A devolução dessa peça não é um ato de esquecimento ou de descaso histórico - é um ato de reforço mnemônico, de re-evidenciamento da história da guerra, e de ressignificação da própria idéia de "espólio" em um conflito que teve as conseqüências que teve, sobretudo para o Brasil, mas também para índios e negros do Brasil, da Argentina e de toda a região do Prata. O Paraguai pagou "espólios" ao Brasil na forma de "indenização de guerra" até a Segunda Guerra Mundial.

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  5. Obrigado por ter publicado o comentário. Ao final, onde eu escrevi "sobretudo para o Brasil", eu quis dizer "sobretudo para o Paraguai".

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  6. este canhão em território nacional é simbolo de vergonha, temos sim que devolve-lo, que orgulho patriota foi esse que devastou um pais considerado uma potencia da época, simplesmente por interesses políticos, o Paraguai rasteja até hoje por conta da covardia de três países gananciosos.

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