
Enviada pela museóloga Mayra Brauer
Encomendado a Oscar Niemeyer e orçado em mais de R$ 200 milhões, o projeto de uma casa de shows em pleno Aterro do Flamengo corre o risco de nunca sair do papel. Em entrevista ao jornal O Globo, o superintendente no Rio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Carlos Fernando Andrade, afirmou que o projeto era “impossível de ser aprovado” já que, no decreto que tombou a área, em 1965, não há “qualquer teatro previsto” entre os os equipamentos que o parque pode conter.
Encomendado ao arquiteto pelo Brazil Foodservice Group (BFG), grupo que administra a rede de churrascarias Porcão, o projeto, que ainda não tem nome, contaria com uma plateia de 2 mil lugares, balcões e camarotes com 500. A construção só poderia ser aprovada se o Iphan abrisse uma exceção, o que poderia gerar um precedente perigoso de obras não previstas no decreto original.
“Na época em que foi concebido, a ideia era de que se devia fazer áreas de lazer para o parque, como restaurantes e quadras de futebol”, explica o ambientalista Luiz Prado. “Mas colocar um empreendimento totalmente privado é algo que precisa ser discutido com profundidade com a população. Quem vai decidir isso? O Porcão? O Iphan? Na minha opinião, deveria haver um referendo. A população é que precisa decidir. É algo que está previsto na constituição e que só não usamos por preguiça”.
Prado acredita que a questão não é ambiental.
“Não tem nada a ver com meio-ambiente”, afirma. “Isso vai afetar o trânsito, talvez a vista. Não interessa se quem está fazendo é o Niemeyer. O que está em jogo aqui não é a arquitetura, mas a utilização do espaço público. E a utilização do espaço público no Rio virou uma bagunça danada”.
Por sua vez, o presidente da Associação de Produtores de Teatro do Rio de Janeiro, Eduardo Barata, lamenta uma possível barragem do projeto, que define como “firula burocrática”.
“Temos uma séria falta de espaços para se apresentar no Rio”, justifica. “Os editais nos permitiram aprimorar nossas espetáculos. Hoje temos mais peças, mas menos espaços para apresentá-las”.
Barata cita o fechamento de espaços tradicionais, como o Glória e a Galeria do Flamengo, além da suspensão temporária do Villa-Lobos (em função de um incêndio), para lembrar a importância de um novo projeto no Parque do Flamengo.
“Sendo uma obra do Niemeyer num espaço privilegiado, e ainda por cima carente de teatros, seria um impulso importante para o teatro no Rio”.
Ex-Secretário de Urbanismo do Rio de Janeiro, o arquiteto Flávio Ferreira também acredita que só a sociedade civil e a opinião pública deveriam decidir o futuro do projeto.
“Para o Iphan aprovar, teria que justificar uma exceção”, explica. “Esta exceção parte da reação da sociedade. Se a sociedade achar que será bom para cidade, teria uma justificativa. Eu, pessoalmente, acho o projeto muito grande. Não cabe naquele espaço”.
O deputado federal do PV, Alfredo Sirkis, concorda com a decisão do Iphan. “Aquela área é sensível, complicado em termos de acessibilidade e uma obra desse tamanho implicaria um impacto paisagístico. Já há uma casa de shows, que é o Vivo Rio, feito de acordo com o projeto original. O mais correto seria fazer a obra em outro local, não no parque”.
Fonte:http://opiniaoenoticia.com.br/brasil/politica/a-nova-obra-de-niemeyer-cabe-no-aterro/?ga=dtf
E o museu o que é? Um espaço de educação informal, de preservação da história e cultura de um povo. Lugares que abrigam sonhos, sentimentos, valores e, por isso mesmo, conhecimento. Na Paraíba, viver no interior é ficar longe e privado de tudo isso.
Segundo o levantamento 'Museus em Números' feito pelo Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), e divulgado na última quinta, 34,9% das instituições existentes na Paraíba estão localizados em João Pessoa. Em números brutos, são 63 em todo o Estado e 22 na capital.
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Foi publicado num blog de um dos integrantes da Carta Capital um texto sobre a construção do Museu do Amanhã e a relação do poder público com os museus existentes no Rio de Janeiro (fonte: http://www.cartacapital.com.br/blog/cultura/amanha-sim-e-ontem-2). Considero o texto pavoroso, por criar argumentações falaciosas, acusar museus muito bem geridos (como o Museu Histórico Nacional) de "falta de boa gestão" e, além de tudo, julgar o que vem a ser um bom museu com base na existência e livraria, café, marketing e uso de novas mídias.
P.S: Infelizmente o layout do blog tem atrapalhado a inserção de matérias de jornais diretamente aqui, por isso tenho optado por divulgar as matérias através de seus próprios links .
Atualização: meu comentário deixado na matéria (criticando) tem sido sistematicamente deletado.
Uma antiga - e assustadora- matéria da Reviosta Veja em defesa de demolições na Paulista pode ser acessada em: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1021251
Com o intuito de realizar seu trabalho com perfeição e deixar impecável a sala pela qual era responsável, uma funcionária da limpeza de um museu alemão deteriorou parcialmente e de maneira irreparável uma obra do artista germânico Martin Kippenberger (1953-1997), comunicou nesta quinta-feira a direção do Museu Ostwald de Dortmund, ao oeste da Alemanha.
A peça integra o acervo permanente da instituição e é composta por uma torre de pranchas de madeira em cuja base há um recipiente de borracha com uma grande mancha de cal branca.
Pensando em acabar com a mancha, a empregada eliminou totalmente essa característica da obra, para o desgosto da direção do museu, que informou que o dano é irreversível.
Um porta-voz da galeria ressaltou que todas as funcionárias da limpeza são minuciosamente instruídas sobre seu trabalho e advertidas sobre quais peças não devem tocar de forma alguma.
"É como acontece nas casas, quando dizemos: 'limpe tudo, mas não toque na mesa do escritório'", disse Dagmar Papajewski, porta-voz do Departamento de Cultura de Dortmund, acrescentando que o caso está sendo analisado pela companhia de seguros.
Em 1986 uma faxineira apagou do teto de uma sala a já famosa "Mancha de Gordura" de Joseph Beuys (1921-1986) na Academia das Artes de Dusseldorf, dano que o estado da Renânia do Norte-Vestfália compensou com o pagamento de 20 mil euros.